Shun Li e o Poeta

Shun Li e o Poeta assume que apenas o fato de inserir dois personagens de culturas e povos longínquos em uma terceira nação pudesse significar uma boa história. É possível apreciar a interação entre Shun Li, uma trabalhadora chinesa que assume o controle de um bar na beira do cais de uma cidadezinha litorânea na Itália, com “O Poeta”, um pescador local que emigrou da Iugoslávia e que já aposentado começa a repensar sua vida de solteiro.

Unindo esses dois personagens metaforicamente pela lenda de um poeta chinês que possui um dia especial onde as pessoas colocam pequenas velas acesas no mar para que ele se salve, a relação entre Shun Li e o poeta de carne e osso se indefine como uma amizade verdadeira, pois não há tempo para que haja um amadurecimento nesse sentido. O que fica é a sensação de uma narrativa lenta que acrescenta muito pouco em suas incursões a respeito dos temas discutidos, como o trabalho injusto de Shun Li com os seus patrões e o preconceito entre povos.

No entanto, uma fotografia mais competente consegue nos trasportar pelas emoções de nostalgia que o encontro das duas inusitadas figuras poderiam causar. O mundo como é hoje é um novo universo de pessoas interconectadas. A visão dessas pessoas para seus passados não confere conforto por estarem vivendo em um ambiente que não mais reflete o que um dia foram. No sentido estético, o filme agrada pelo que como história não foi.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2012-10-28. Shun Li e o Poeta. Io sono Li (Italy, 2011). Dirigido por Andrea Segre. Escrito por Andrea Segre, Andrea Segre, Marco Pettenello. Com Tao Zhao, Rade Serbedzija, Marco Paolini, Roberto Citran, Giuseppe Battiston, Giordano Bacci, Spartaco Mainardi, Zhong Cheng, Wang Yuan. imdb