Silêncio
Wanderley Caloni, 2017-02-22

Quase 30 anos depois (A Última Tentação de Cristo), Martin Scorsese volta a filmar um tema religioso. Dessa vez vamos para o inusitado Japão feudal, no século 17, das grandes navegações. Padres portugueses avançam insistentemente para tentar converter o povo budista, mas são barrados por uma inquisição cruel e sanguinária, que tortura e mata os novos-cristãos da terra do sol nascente. Um padre (Andrew Garfield) sofre a provação do silêncio absoluto de um deus frente a tanto sofrimento, além de tentar descobrir se seu mentor, um ótimo como sempre Liam Neeson, traiu a igreja e virou “um deles”. É um roteiro bem amarrado, que se perde em detalhes apenas no terceiro ato, mas que mesmo em um ritmo moroso entrega uma experiência estética vibrante e intensa, onde a dor e o sofrimento lembram trabalhos como Paixão de Cristo (vá preparado), mas a grande questão é muito mais interna que externa. Note a falta de trilha sonora, o silêncio em vários momentos e apenas o som da natureza. Fogo, água, ar e terra se misturam em uma das partes menos nobres da iconografia cristão. Um drama belo, e mesmo que incoerente ou incompleto em seu final, levemente memorável.

Crítica completa na estreia do filme no CinemAqui.

★★★★☆ Silence. USA. 2016. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: Jay Cocks, Martin Scorsese, Shûsaku Endô. Elenco: Andrew Garfield (Rodrigues), Adam Driver (Garupe), Liam Neeson (Ferreira), Tadanobu Asano (Interpreter), Ciarán Hinds (Father Valignano), Issei Ogata (Old Samurai / Inoue), Shin'ya Tsukamoto (Mokichi), Yoshi Oida (Ichizo), Yôsuke Kubozuka (Kichijiro). Edição: Thelma Schoonmaker. Fotografia: Rodrigo Prieto. Trilha Sonora: Kathryn Kluge, Kim Allen Kluge. Duração: 161. Aspecto: 2.35 : 1. Adventure. Estreia no Brasil: 9 March 2017. #cabine #oscar2017