Sinfonia da Necrópole

Um musical brasileiro que pega leve sobre a morte. Mas será que realmente este é um filme sobre a morte? Ou será sobre a vida e seus mistérios vistos por um caipira sensível? Se for, temos uma boa ideia no filme de como ele seria de fosse ótimo. Infelizmente, sabotado pelo roteiro água-com-açúcar e manipulativo, o que podemos elogiar são seus números musicais, cujos efeitos de som estão tão bons e naturais que quase não parecem vindos de uma produção nacional.

A história gira em torno de Deodato, um aprendiz de coveiro sensível, que desmaia sempre que vê um morto e passa a conviver com a mais pragmática e apaixonada pela profissão Jaqueline, uma agente funerária que mobiliza todo o cemitério e seus “moradores” para conseguir espaço onde será criado um empreendimento parecido com os atuais cubículos vendidos como apartamentos, mas para mortos. Essa imagem quase vale o filme, assim como as piadas de mau gosto acidentais (“esse assunto não é de nossa ossada”).

O relacionamento entre coveiro e agente é chinfrim demais para despertar qualquer sentimento diferente de “estou sendo manipulado”. O conceito criado por trás do musical é bem melhor, mas está ofuscado por diálogos terríveis e atuações medíocres de personagens estereotipados.

Ainda assim, quando mortos se levantam, revoltados (na cabeça do coveiro) e saem a cantar uma canção, o filme sinceramente atinge um ápice que gostaria que fizesse parte do filme que este “Sinfonia” poderia ser.

Mas é como dizem a respeito do morto: ele sempre parece melhor pelo que as pessoas falam do que se você o tivesse realmente conhecido.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2016-03-30 imdb