Sinfonia da Necrópole

Um musical brasileiro que pega leve sobre a morte. Mas será que realmente este é um filme sobre a morte? Ou será sobre a vida e seus mistérios vistos por um caipira sensível? Se for, temos uma boa ideia no filme de como ele seria de fosse ótimo. Infelizmente, sabotado pelo roteiro água-com-açúcar e manipulativo, o que podemos elogiar são seus números musicais, cujos efeitos de som estão tão bons e naturais que quase não parecem vindos de uma produção nacional.

A história gira em torno de Deodato, um aprendiz de coveiro sensível, que desmaia sempre que vê um morto e passa a conviver com a mais pragmática e apaixonada pela profissão Jaqueline, uma agente funerária que mobiliza todo o cemitério e seus “moradores” para conseguir espaço onde será criado um empreendimento parecido com os atuais cubículos vendidos como apartamentos, mas para mortos. Essa imagem quase vale o filme, assim como as piadas de mau gosto acidentais (“esse assunto não é de nossa ossada”).

O relacionamento entre coveiro e agente é chinfrim demais para despertar qualquer sentimento diferente de “estou sendo manipulado”. O conceito criado por trás do musical é bem melhor, mas está ofuscado por diálogos terríveis e atuações medíocres de personagens estereotipados.

Ainda assim, quando mortos se levantam, revoltados (na cabeça do coveiro) e saem a cantar uma canção, o filme sinceramente atinge um ápice que gostaria que fizesse parte do filme que este “Sinfonia” poderia ser.

Mas é como dizem a respeito do morto: ele sempre parece melhor pelo que as pessoas falam do que se você o tivesse realmente conhecido.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2016-03-30. Sinfonia da Necrópole. Sinfonia da Necrópole (Brazil, 2014). Dirigido por Juliana Rojas. Escrito por Juliana Rojas. Com Eduardo Gomes, Paulo Jordão, Germano Melo, Adriana Mendonça, Luís Mármora, Luciana Paes, Augusto Pompeo, Antonio Velloso, Hugo Villavicenzio. imdb