Sob a Pele

Sob a Pele lembra um remake de um trash e obscuro dos anos 70 cujo estilo é mimetizado, o que tem tudo a ver com a história da alienígena que finge ser uma humana e seduz homens para “comê-los”. Dentro desse aspecto do filme também há vários bons motivos para escolher Scarlett Johansson nesse papel, e ser uma “musa corporal” é apenas um deles. Atraindo sempre homens solitários através da mesma técnica de se fingir de perdida, são unicamente eles os responsáveis por serem suas vítimas, tanto que ela apenas tem a missão de verbalizar, andar, tirar a roupa.

A trilha sonora esquisita remete ao tom fabuloso da história alienígena. Os poucos diálogos reforçam essa sensação. É um filme ímpar em narrativa, pois praticamente nada precisa ser dito para explicar a história. É um filme para ser sentido, não verbalizado. A fêmea é apenas isso: uma mulher com dotes físicos atraentes. Fica difícil chamá-la sequer de vilã, ainda mais quando há a ameaça de estupro. Quando ela encontra um homem para lhe fazer companhia, é o sexo novamente que entra em jogo.

E o sexo é a razão que nos faz acompanhar sua história sem sequer piscar. O balanço da música nos leva para os sonhos mais bizarros, os pesadelos mais gentis. Simbolismos podem ser retirados, mensagens sociais, política, filosóficas. Interpretações à parte, o ser humano é antes de tudo um animal, e ser um animal é a porta de entrada de ações bestiais e primitivas.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-01-20. Sob a Pele. Under the Skin (UK, 2013). Dirigido por Jonathan Glazer. Escrito por Walter Campbell, Jonathan Glazer, Michel Faber. Com Scarlett Johansson, Jeremy McWilliams, Lynsey Taylor Mackay, Dougie McConnell, Kevin McAlinden, D. Meade, Andrew Gorman, Joe Szula, Krystof Hádek. imdb