Sob a Pele

Sob a Pele lembra um remake de um trash e obscuro dos anos 70 cujo estilo é mimetizado, o que tem tudo a ver com a história da alienígena que finge ser uma humana e seduz homens para “comê-los”. Dentro desse aspecto do filme também há vários bons motivos para escolher Scarlett Johansson nesse papel, e ser uma “musa corporal” é apenas um deles. Atraindo sempre homens solitários através da mesma técnica de se fingir de perdida, são unicamente eles os responsáveis por serem suas vítimas, tanto que ela apenas tem a missão de verbalizar, andar, tirar a roupa.

A trilha sonora esquisita remete ao tom fabuloso da história alienígena. Os poucos diálogos reforçam essa sensação. É um filme ímpar em narrativa, pois praticamente nada precisa ser dito para explicar a história. É um filme para ser sentido, não verbalizado. A fêmea é apenas isso: uma mulher com dotes físicos atraentes. Fica difícil chamá-la sequer de vilã, ainda mais quando há a ameaça de estupro. Quando ela encontra um homem para lhe fazer companhia, é o sexo novamente que entra em jogo.

E o sexo é a razão que nos faz acompanhar sua história sem sequer piscar. O balanço da música nos leva para os sonhos mais bizarros, os pesadelos mais gentis. Simbolismos podem ser retirados, mensagens sociais, política, filosóficas. Interpretações à parte, o ser humano é antes de tudo um animal, e ser um animal é a porta de entrada de ações bestiais e primitivas.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-01-20 imdb