Sobre debates no SESC Santos

Esse fds participei de uma rápida ida e volta para Santos para participar de um dia com dois debates de um evento organizado pelo meu editor no CinemAqui, o Vinicius Carlos Vieira.

Com um início atribulado por conta da nossa carona, uma taxista que também é artista plástica e que condenava sua situação atual e flertava com a ideia de uma possível oportunidade de virar caminhoneira e viajar o país, talvez o melhor da viagem tenha sido conhecer meu parceiro das críticas em Sampa, o Eduardo Sandrini. Sua lógica e suas opiniões acerca de diversos filmes, além do sempre bom papo sobre Cinema, talvez tenham sido o ponto alto do dia.

Disse talvez porque o debate em que ele participou, o primeiro, sobre crítica na internet, atingiu alguns temas até que relevantes, como o desafio atual da mídia impressa – e, claro, da mídia virtual – em conseguir atrair a atenção de um público cada vez mais alheio à cultura e à arte.

Disse talvez também porque, embora instigante, o debate logo denotou seu objetivo paralelo em se tornar uma plataforma de publicidade. No caso, do saite Judao. Nada contra, aliás. Não o conhecia, dei meus 15 minutos (talvez menos) de visita, e foi legal. Bom saber que existe.

Não me levem a mal, não sou desses nerds de HQs, games ou Cinema como plataforma de materialização de sonhos nerds (de HQs). Logo, não sou o público-alvo. Mesmo assim, achei no mínimo estranho um saite que evita comentários, no melhor estilo censura, preferindo deixar as discussões para o lado das redes sociais (que, pelo visto, são quase inexistentes). A ideia de divergir não parece agradar a linha editorial da equipe, e é de respeitar a tentativa de higienizar a opinião (não que fosse louvável).

Mas divago. A questão mercadológica das notícias e da opinião para as massas foi o ponto forte, além da participação de um jornalista da Tribuna dos “velhos tempos”. Tudo isso me pareceu bem novo e em um ambiente em que não estou acostumado.

Sobre o Hype nerd, minhas ressalvas são talvez piores. Eu ter aprendido que, além da confusa noção de que o capitalismo é colocado como um bicho à parte, ficar com a noção de que é esperado de geradores de conteúdo cultural por algum motivo que eles estejam alheios ao mundo real, ou boa parcela dele, me parece desonesto. O tal politicamente correto foi citado, e eu até tinha algumas ideias sobre o assunto, embora não me parecesse correto cortar o efusivo colaborador do Judão.

De certa forma, o segundo debate foi superficial em todos os seus meandros, embora o mediador tivesse tentado provocar com perguntas até que interessantes, embora meio repetitivas. Essa questão do capitalismo contra o sei-lá-o-quê-mas-que-precisa-de-dinheiro-também talvez tenha ficado mal explicada por falta de tempo ou elaboração, mas também pode ser um trauma do pessoal de humanas, que estava acostumado há quinze anos atrás, mas hoje vejo com estranheza. Male/male, uma experiência diferente. Havia dito, para o Eduardo, se não me engano, que experiências diferentes são positivas. Hoje, passado o “hype”, fico com minhas dúvidas.

Wanderley Caloni, 2015-08-03