Song of the Sea

Song of the Sea – uma animação ainda inédita no Brasil porque as distribuidoras preferem a garantia de produtos xarope como Big Hero – é um banho de água fresca nas animações e nos filmes em geral. É uma história pouco criativa e muito inspiradora, com uma animação de fazer perder o fio da meada, pois ficamos admirando cada detalhe de suas figuras geometricamente harmoniosas e com paletas de cores imensamente significativas, seja no frio gélido do mar ou no interior de um aconchegante bar. É uma obra estilizada e plástica, mas ao mesmo tempo com coração. A emoção do filme reside em sua trilha sonora e em suas dublagens carismáticas (mesmo que os personagens não falem muito). E, claro, em sua história que poderia até ser acusada de manipuladora se não preenchesse seus curtíssimos 93 minutos de maneira tão natural.

A história começa com a morte da mãe de duas crianças que vivem na casa do lado de um farol. Quer dizer, é isso o que pensamos inicialmente, mas aos poucos outros detalhes vão revelando o aspecto sobrenatural de uma lenda que parece ter atravessado milênios para chegar em nossos olhos. A relação entre o filho mais velho e a caçula é a chave para acompanharmos suas aventuras. Quando em uma noite a pequena e calada Saoirse resolve seguir seus instintos e adentra o mar para se juntar às focas com o poder do agasalho mágico de sua mãe, sua avó resolve levar as duas crianças para a cidade, a salvo do que parece ser uma maldição. O caminho de ida é um dos momentos mais criativos, com o garoto desenhando um mapa enquanto observamos o carro pela estrada.

Porém, são os motivos para a volta ao farol que tornam Song of the Sea uma aventura empolgante, dramática, e até engraçada. As figuras excêntricas que as crianças irão encontrar pelo caminho floreiam a lenda e ajudam a nos situar nesta fábula. Não há conclusão fácil para essa história, mas uma importante lição aprendida. Parece soar piegas, mas não é esse o sentimento que fica. Talvez porque o piegas, quando entregue de coração, funciona muito melhor. OK, essa frase, sim, foi piegas.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2015-04-02. Song of the Sea. Song of the Sea (Ireland, 2014). Dirigido por Tomm Moore. Escrito por Will Collins, Tomm Moore. Com David Rawle, Brendan Gleeson, Lisa Hannigan, Fionnula Flanagan, Lucy O'Connell, Jon Kenny, Pat Shortt, Colm Ó'Snodaigh, Liam Hourican. imdb