S.O.S.: Mulheres ao Mar

Este filme é um longo comercial de uma empresa de cruzeiros. A história poderia muito bem acontecer em uma cidade qualquer, já que não há nenhuma cena que justifique a presença dos personagens em um navio. Salvo, claro, as patéticas “homenagens” a Titanic, tornando-o, por comparação, como se Plano 9 do Espaço Sideral, considerado o pior filme de todos os tempos, homenageasse Cidadão Kane, considerado um dos melhores.

Pautado pelo já conhecido argumento das “globochanchadas” para mulheres inseguras, a história é que ela (Giovanna Antonelli) perde o marido para a amante e tenta resgatá-lo em uma viagem pelo mar para a Itália. Junto vão a melhor amiga, viciada em homens lindos e musculosos, e a sua secretária, essas empregadas que fazem sucesso nos programas de TV da emissora por serem simples e “humildes”. A diversão da classe média brasileira sempre foi pautada no ridículo da plebe, até quando a audiência é formada pela própria plebe. E o amor sempre foi pautado na busca incessante de um macho-alfa, sem o qual as mulheres não são ninguém.

Até porque, para rivalizar com o marido, surge um outro macho-alfa, mais alto e gentil. Da mesma forma, suas duas companheiras também saem à caça dos homens que irão provê-las. O que seria dessas mulheres burras e desastradas se não fossem os homens que possuem um peitoral definido?

Dirigido como uma comédia estilo europeu, recheada de trilhas italianas e piadas com um teor típico das comédias desse país, S.O.S. diverte moderadamente em doses homeopáticas, até por ter um trio de atrizes carismáticas e talentosas. Triste, portanto, que ao vestir esse estereótipo de donzela histéricas elas sejam sabotadas por essa necessidade patológica de precisarem de homens.

Concluindo com um terceiro ato filosófico de botequim – para mulheres que leem Sabrina – S.O.S. passa a se tornar ridículo e hipócrita ao defender que não existe fórmula para a felicidade, pois logo em seguida o final reverte justamente para o mais formulaico possível. Talvez não haja fórmula para a felicidade, mas para o lucro há: use suas atrizes famosas em filmes com a moral dos livros Sabrina e venda isso como uma comédia inconsequente. Talvez a Globo tenha achado a sua fórmula de felicidade, direto para seus bolsos.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-01-04. S.O.S.: Mulheres ao Mar. S.O.S.: Mulheres ao Mar (Brazil, 2014). Dirigido por Cris D'Amato. Escrito por Sylvio Gonçalves, Rodrigo Nogueira, Marcelo Saback. Com Giovanna Antonelli, Reynaldo Gianecchini, Fabiula Nascimento, Thalita Carauta, Emanuelle Araújo, Marcello Airoldi, Theresa Amayo, Rodrigo Ferrarini, Sergio Múñiz. imdb