South Park Maior Melhor e Sem Cortes

Não é nenhuma novidade que South Park preza pelo irreverente e polêmico em prol da comédia e, principalmente, na análise da estupidez humana (espectadores inclusos). No seu longa-metragem, portanto, nada muda. O diferencial é um frescor de piadas sobre os últimos acontecimentos no mundo que seriam feitas na versão televisiva de uma forma ou outra.

Só que o estilo do seriado atira para todos os lados, e atira mais forte na moral americana que combate sexo e palavrões, mas favorece e até incentiva a violência, em um caráter permanentemente pró-bélico. A guerra no Iraque é, portanto, o grande alvo, potencializado pelo fato de Saddam ter sido morto e feito uma aliança de poder, sexo e influência com Satanás.

Em uma repetição do tema palavrões versus violência (como quando um garoto foi alvo de críticas por estar pelado e não por estar formando uma gangue armada), os comediantes Terence e Phillip são alvo de críticas por suas piadas de peidos e para isso instaura-se uma guerra contra seu país de origem: o Canadá. O que os americanos não sabem (exceto o espírito de Kenny) é que ao executar os comediantes serão abertos os portões do inferno para um período de trevas bíblico (claro que a religião não ficaria de fora).

Desenvolvendo a história através de números musicais - mais uma alfinetada na moral e bons costumes - todos os personagens queridos da série ganham tempo em tela, além de novos e sagazes figuras (como o garoto-guerrilheiro que tem uma rixa pessoal com Deus). É preciso ressaltar dois sucessos inigualáveis “Blame Canada” e “Uncle Fucker”, além de um momento inédito onde quatro números musicais são mostrados e cantados na tela ao mesmo tempo.

Por tudo isso, “South Park - maior, melhor e sem cortes” é imperdível. Quem perder é um filho da puta fodedor de tios.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-11-02 imdb