Supergirl

A nova série da “menina de aço” parece importada do seu original de 1984 e atualizada de maneira preguiçosa com os temas do momento (leia: feminazismo). Se até a metade do piloto conseguimos nos importar minimamente com a trama e, principalmente, com o destino de Kara e a decisão de ser quem ela verdadeiramente é (uma super-heroína), de lá pra frente o que vemos é a entrega total ao televisivo, a soluções fáceis e a modelos de entretenimento que utilizam referências dos últimos trabalhos da DC para soar antenado.

O que torna tudo uma pena é que a garota, interpretada por Melissa Benoist, parece ter feito o dever de casa, ao menos nas expressões e movimentos de corpo que fizeram de sua versão masculina – Clark Kent – tão divertido quando a imponência do seu verdadeiro eu. Aqui temos o cômido nas caras de Benoist sem a imponência de sua versão “adulta”, o que pode ser até explicado como apenas o começo de seu arco narrativo.

Os efeitos visuais dão para o gasto. São bem elaborados, o salvamento do avião é convenientemente feito à noite e com closes bem próximos da improvisada Supergirl de preto. Os detalhes técnicos de uma produção e baixo orçamento para os computadores de hoje parece um mero detalhe que não deve incomodar o fã; pelo contrário, deve conquistá-lo pela atualização do que é possível fazer hoje com séries secundárias como essa.

O que incomoda mesmo é o modo acelerado e burocrático com que o episódio piloto resolve apresentar todo mundo e já fazer as devidas conexões para um formato que no minuto final já está definido, o que implicitamente é uma fórmula para séries medíocres e enlatadas, que usam o mesmo formato em todo episódio para encher linguiça eternamente (ou até a audiência abaixar). E se a interpretação de Melissa Benoist como Kara seria interessante, todo o resto dela e de todo o elenco não é, pois cai no convencional e cartunesco, tornando a experiência já inflada desde o começo.

Bom, ao menos, como disse uma atendente de lanchonete de passagem, agora as filhas das pessoas terão em quem se espelhar como heróis, nos mesmos moldes das caça-fantasmas de hoje em dia. Talvez seja pedir demais por algo além do enlatado televisivo. Talvez eu, quando era um moleque, também me espelhava nas péssimas séries do Superman e Batman sem me importar com arcos narrativos, elipses ou complexidade de personagens. O que importa é romance e pancadaria.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2016-10-22 imdb