Supergirl

Oct 22, 2016

Imagens

A nova série da “menina de aço” parece importada do seu original de 1984 e atualizada de maneira preguiçosa com os temas do momento (leia: feminazismo). Se até a metade do piloto conseguimos nos importar minimamente com a trama e, principalmente, com o destino de Kara e a decisão de ser quem ela verdadeiramente é (uma super-heroína), de lá pra frente o que vemos é a entrega total ao televisivo, a soluções fáceis e a modelos de entretenimento que utilizam referências dos últimos trabalhos da DC para soar antenado.

O que torna tudo uma pena é que a garota, interpretada por Melissa Benoist, parece ter feito o dever de casa, ao menos nas expressões e movimentos de corpo que fizeram de sua versão masculina – Clark Kent – tão divertido quando a imponência do seu verdadeiro eu. Aqui temos o cômido nas caras de Benoist sem a imponência de sua versão “adulta”, o que pode ser até explicado como apenas o começo de seu arco narrativo.

Os efeitos visuais dão para o gasto. São bem elaborados, o salvamento do avião é convenientemente feito à noite e com closes bem próximos da improvisada Supergirl de preto. Os detalhes técnicos de uma produção e baixo orçamento para os computadores de hoje parece um mero detalhe que não deve incomodar o fã; pelo contrário, deve conquistá-lo pela atualização do que é possível fazer hoje com séries secundárias como essa.

O que incomoda mesmo é o modo acelerado e burocrático com que o episódio piloto resolve apresentar todo mundo e já fazer as devidas conexões para um formato que no minuto final já está definido, o que implicitamente é uma fórmula para séries medíocres e enlatadas, que usam o mesmo formato em todo episódio para encher linguiça eternamente (ou até a audiência abaixar). E se a interpretação de Melissa Benoist como Kara seria interessante, todo o resto dela e de todo o elenco não é, pois cai no convencional e cartunesco, tornando a experiência já inflada desde o começo.

Bom, ao menos, como disse uma atendente de lanchonete de passagem, agora as filhas das pessoas terão em quem se espelhar como heróis, nos mesmos moldes das caça-fantasmas de hoje em dia. Talvez seja pedir demais por algo além do enlatado televisivo. Talvez eu, quando era um moleque, também me espelhava nas péssimas séries do Superman e Batman sem me importar com arcos narrativos, elipses ou complexidade de personagens. O que importa é romance e pancadaria.

Wanderley Caloni, 2016-10-22. Supergirl. Supergirl (piloto) (USA, 2015). Dirigido por Glen Winter, Larry Teng, Dermott Downs. Escrito por Ali Adler, Greg Berlanti, Andrew Kreisberg, Joe Shuster, Jerry Siegel, Otto Binder, Jerry Ordway, Caitlin Parrish, Al Plastino. Com Melissa Benoist (Kara Danvers / ...), Mehcad Brooks (James Olsen), Chyler Leigh (Alex Danvers), Jeremy Jordan (Winn Schott), David Harewood (Hank Henshaw / ...), Calista Flockhart (Cat Grant), Chris Wood (Mon-El). IMDB.