Sword Art Online - Primeira Temporada

O tema de mundos virtuais já tem mais de uma década, mas é a primeira vez que vejo ele ser explorado nos jogos online. Mais interessante, ainda, é construir uma história cujo pano de fundo é o lançamento de mais um RPG online a la “World of Warcraft” — com direito a versões beta, coleção de itens, aumento de experiência, novas habilidades — com a diferença que seu controle é exercido e sentido diretamente pelo cérebro dos jogadores atráves de um sensor na forma de capacete. O enredo principal: se os criadores de um jogo de realidade virtual conseguem controlar os sentidos de seus jogadores o que os impede de levar essa experiências às últimas consequências?

Com base nisso e um bom toque de animê/novela é que Sword Art Online se baseia ao longo da sua temporada de 25 capítulos divididos tematicamente em duas “fases”. A primeira é a melhor das duas, pois expande diversos conceitos curiosos a respeito desse futuro distópico, como a relação afetiva (e sexual) entre seus membros e qual é a definição de “sentimento” nesse mundo, além de em diversos momentos utilizar a figura do casal principal Kirito e Asuna para servir de olhos e reflexão do espectador sobre o que faria em determinadas situações, ou até onde vai a brincadeira. Nesse sentido, a vinda de uma personagem muito especial “adotada” pelos heróis é sintomático e um dos melhores momentos da série, além de representar muitas homenagens óbvias ao longo da narrativa, notadamente Matrix, a obra cinematográfica dos irmãos Wachoski (que já referenciava e homenageava praticamente todos os ramos do entretenimento e da filosofia em torno da possibilidade de estarmos sonhando acordados em um mundo de mentiras).

É com o uso de uma excelente trilha sonora dramática quase nunca exagerada e ótimas cenas de ação que a primeira metade de SAO capta a essência de sua história. Claro que isso ocorre graças ao pano de fundo que vai sendo contruído junto com a relação entre seus personagens, pois essa não é uma série de lutas de espadas comum, mas uma interessantíssima reflexão sobre o que o ser humano é capaz de fazer para sobreviver e manter a sua honra, seu caráter, seus princípios. Existiria uma ética em um mundo onde tudo é possível?

Essas questões existenciais parecem que nunca envelhecem…

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-04-16 imdb