Tempos Modernos

Charlies Chaplin foi o Leonardo da Vinci da Sétima Arte. Em Tempos Modernos ele não apenas atua e dirige, como escreve o roteiro, edita e compõe a trilha sonora, incluindo o belíssimo tema de casal. É um filme-fantasia que contém metáforas sobre a vida dura na cidade, onde a multidão caminha em uníssono para as fábricas na esperança de uma vida melhor, trabalhando em um ritmo frenético ditado pelo dono através de um monitor gigante. Não à toa, a primeira cena intercala essa multidão com um rebanho. Acompanhamos a história de apenas um desses trabalhadores (Chaplin) que é preso após ficar maluco trabalhando na linha de produção. Ironicamente, a prisão é um lugar mais agradável do que a vida lá fora.

O que está presente em quase todas as cenas, independente de formarem cenários distintos para o humor clássico do humorista (como a patinação na loja de departamentos), é essa tentativa de conquista dos sonhos. Mas, como em todo filme do cineasta, a vida não é muito fácil e o melhor jeito de lidar com os problema é rir deles. Ele conhece uma menina órfã e juntos tentam conquistar o sonho de viver em uma casa aconchegante. O humor de Chaplin é o suficiente para percebermos o contraste entre o desejado e o que “tem para hoje”.

Lembrado eternamente pela sequência em que o operário fica preso entre as engrenagens de uma máquina gigantesca que o mastiga, Tempos Modernos é muito mais do que isso. É um filme sobre a esperança do trabalhador comum, tem por objetivo alcançar a massa com sua mensagem simples. É uma estratégia política aversa à violência física como em Eisenstein (O Encouraçado Potemkin, A Greve), mas, na minha opinião, muito mais efetiva e universal: o riso pelo drama da vida real.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2015-01-05 imdb