Terror in Resonance

Sep 19, 2015

Imagens

Esse aparentemente é um seriado de uma temporada apenas, com cada um de seus onze episódios com cerca de 20 minutos ou menos, dando no final das contas um filme de pouco mais de três horas com os famigerados cortes e padrões de mídia japonesa.

Ambientado no Japão atual, conta a história de dois jovens terroristas, a perseguição das autoridades japonesas e uma influência norte-americana inesperada (embora todos esperassem por isso quando se trata de terrorismo).

O bom em Terror in Resonance, ainda que soe clichê, são os traços e detalhes realistas, principalmente nos movimentos e na própria história (o YouTube é replicado com exatidão, assim como serviços comuns da internet do nosso tempo). O realismo consegue deixar uma ótima impressão na maior parte do tempo, lembrando a sobriedade com que seriados mais ambiciosos como Breaking Bad tratavam a passagem do tempo.

Talvez alguns não gostem dos personagens destacados do cenário pela paleta de cores, mas isso quase nunca acontece, e quando acontece, tem um motivo interessante: mostrar como esses personagens estão deslocados do mundo normal, das pessoas vivendo duas vidas. Há algo de incomum nos “heróis” e “vilões” de “Terror…”, sejam os garotos, a garota que não se dá com a mãe, a garota-surpresa e, é claro, o detetive que tem um passado que se arrepende.

Porém, além dos traços, é perceptível a escolha adequada das trilhas, ainda que estas não sejam tão originais, ou até mesmo a edição mantém um ritmo curioso de sempre em movimento do lado de fora, e no caso dos jovens, terroristas mas inteligentes, o movimento é do lado de dentro. Isso fica muito claro quando Twelve realiza suas sessões de hackerismo, onde mais uma vez vemos o realismo agir (aqueles comandos Unix e toda a tralha em volta, incluindo a programação, é factível sim e dá de dez a zero em muitos filmes de ação hollywoodiano que mostram os hackers como criaturas imaturas e que só gostam de mexer em telas gráficas bem transadas).

Conseguindo chamar a atenção e manter a tensão em quase todos seus episódios, suas virtudes infelizmente começam a ruir conforme suas ideias (e seus personagens) se mesclam, colocando um belo castelo de cartas entregue à obviedade latente de produções do gênero, onde nem um dos conflitos principais (por que Five queria ver Twelve, mesmo?) consegue uma conclusão satisfatória. De qualquer forma, não deixa de ser interessante observar pequenos traços contemporâneos, como o liberalismo e o ataque às grandes corporações. Considerando, é claro, que os governos são as maiores e mais violentas corporações contra o indivíduo.

Wanderley Caloni, 2015-09-19. Terror in Resonance. Zankyo no Terror (Japan, 2014). Dirigido por Shinichirô Watanabe, Kazuto Nakazawa. Com Kaito Ishikawa, Soma Saito, Shunsuke Sakuya, Atsumi Tanezaki, Megumi Han. IMDB.