O Livro da Vida

Essa é a estreia em longas do diretor Jorge R. Gutierrez, que já trabalhava no setor de animação e foi escalado pelo produtor Guilhermo del Toro para contar uma lenda mexicana através de uma história que usa duas camadas: a guia de um museu decide “ensinar uma lição” a um grupo de crianças por serem… mimadas? Não ficou muito claro o objetivo dessa ideia, que nem é tão relevante para a história, exceto em algumas intervenções aqui e ali.

Contudo, o design de arte de The Book of Life, que transforma bonecos usados para contar essa grande história (cuja parte fofa é colocar o México no centro do universo), compensa completamente esses detalhes. Note como o detalhe das roupas da pequena Maria estão em seu vestido adulto e verá um esmero tão raro quanto gratificante.

Unida a isso, a fotografia bem colorida – seguindo o estilo da cultura mexicana e até latina – cria alguns paralelos com A Noiva Cadáver sem nunca soar sua cópia, além de encantar pela vividez e dinamismo. Ela consegue brincar com a vida e a morte sem se tornar muito perigosa para uma animação que, sim, ainda pode ser considerada infantil (embora não esteja certo se cairá no gosto comum dos niños).

As piadas envolvendo a cultura mexicana, apesar de deslocadas da história principal, criam um divertido floreio. Também funcionam as maravilhosas inserções de músicas conhecidas tocadas por Manolo, o herói, e gosto particularmente do uso de Ernio Morricone – da trilogia do dólar - - em uma sequência impecável de tourada, que praticamente conduz a emoção – e discute a complexidade – do reencontro dos três amigos agora crescidos.

Um filme, enfim, muy rico. Daria para visitá-lo várias vezes e ainda encontrar coisas novas. E a história continuaria tendo o peso das grandes odisseias da humanidade em sua versão infantil.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-11-09 imdb