The IT Crowd

Apr 16, 2018

Imagens

Já tentou desligar e ligar o computador de novo? Você sabe o que é IT? Se a resposta para essas perguntas foram sim então talvez você goste dessa série de comédia britânica que apela para quadros que fogem um pouquinho da realidade, mas que continua nos lembrando como é o ecossistema do pessoal de suporte.

A série apela muito para piadas do cotidiano e sobre as personalidades de sua dupla principal: o irlandês perdido e com toques afeminados, Roy, e o nerd até os ossos, Moss. Na pele de Chris O’Dowd e Richard Ayoade, a parte mais engraçada nem são as piadas, mas como o timing físico dos dois para comédia se sobressai às piadas. Fechando o ciclo temos a gerente perfeita, que sequer sabe o que é IT, mas que conhece de pessoas (sua rotatividade com os ficantes é impressionante), a “sexy appeal de qualquer equipe de suporte britânica” Jen (Katherine Parkinson).

Eu disse que as piadas apelam muito para o cotidiano, o que quer dizer que ela não é apenas sobre TI, mas principalmente sob a visão de mundo dos que trabalham com TI. Entre eles temos Moss, que é o nerd típico dos anos 80 e 90. Richard Ayoade aposta em movimentos de cabeça sincronizados com suas falas cheias de pomposidade e formalidade, por mais informais que sejam as situações. Seu senso de humor é completamente atípico, mas isso não impede que ele seja autêntico até o fim. Alheio ao mundo real, seu autismo é dignificante em vez de alvo de chacota, pois Ayoade nunca deixa levar seu personagem abaixo da linha onde ele percebe que está sendo ferido psicologicamente, e se está o faz de uma forma inocente, quase brincalhona, e mesmo que não o seja, assim soa para o espectador.

No outro espectro está Roy, que nas mãos de Chris O’Dowd recebe a maior parte (e por que não, a totalidade) das frustrações românticas, pois ele é o estereótipo do anti-charme do nerd, da miopia de estilo, dos movimentos bruscos e sem qualquer tato. Roy mantém um espírito que entende as mulheres, mas é incapaz de se dar bem com elas, exceto com Jen, com quem vai alimentando uma amizade platônica e distante ao nível de virarem parceiros de game. Roy é tão perdido quanto Moss, mas ao não admiti-lo, é o alvo das piadas mais maldosas (como a em que ele acredita saber a hora exata que irá morrer naquele dia).

Por fim, Jen, na figura da simpática Katherine Parkinson consegue se sair bem com seus tons afetados e suas expressões enigmáticas. Seu tom de voz é exagerado para a TV, mas ela não deixa de ter suas partes mais… refinadas. Como o episódio em que ela se insere em um drama/universo soviético ao fumar com os últimos que resistem ao vício.

A série criada (até o roteiro) e dirigida pelo irlandês Graham Linehan, IT Crowd expõe o melhor do humor britânico na TV para as massas. Não é algo experimental como Monty Python, mas tem seus momentos altos, mesmo que esses momentos sejam forçados pelas risadas e aplausos falsos de TV. É uma comédia sobretudo para o pessoal de TI, pois possui tiradas típicas de se comentar na hora do café. E se você sabe o que é a hora do café em um departamento de TI, então, mais uma vez, IT Crowd é uma série que você deveria estar vendo agora.

Wanderley Caloni, 2018-04-16. The IT Crowd IMDB.