The Pleasure Garden

Alfred Hitchcock começou sua carreira no cinema como desenhista de intertítulos, os letreiros de falas que aparecem quando um personagem diz algo importante nos filmes mudos. Este é seu primeiro filme longo na direção depois que as pessoas o notaram em seu curta-metragem Always Tell Your Wife. E para surpresa dos que dizem que este é o século das adaptações, a história do filme foi baseado em um romance.

Se trata, aliás, de uma história típica de novela ou romances esparsos. Duas amigas e dois amigos formam dois casais. Dois não prestam e dois são bonzinhos. A história gira em torno da troca de casais, que vai ocorrendo naturalmente conforme os eventos vão levando os personagens para este caminho. Hoje é um clichê, na época talvez uma diversão. Além de emocionante.

Não há muito o que dizer de Hitchcock em si. É seu primeiro trabalho, e é muito mais trabalho do que qualquer coisa. Há algumas transições interessantes, como o adeus da noiva para a saudação da amante. Além, é claro, do charme do p&b e das luzes para indicar ao espectador o que ele tem que olhar na cena.

As atuações convencem, assim como a trilha sonora. O figurino das mulheres é outro charme à parte. Elas trabalham em um teatro de dança, mas pouco é visto. Hitchcock apenas faz uma introdução, correndo a câmera pela plateia masculina, sentada na primeira fileira e observando as pernas das garotas como lobos.

Mesmo uns 90 anos depois, ainda garante tensão. Não é perfeito, tem falta de sincronia aqui e ali, mas a história é boa, além das personagens. A melhor é a atuação de Virginia Valli como a bondosa Patsy. Ela deixa um traço de personalidade em uma época onde haviam personagens mecânicos.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-12-09 imdb