Thelma

2017/11/16

Thelma é a continuação visualmente temática do último filme de Joachim Trier, o Mais Forte Que Bombas. E quando digo visualmente me refiro à paleta fria, aos enquadramento deslumbrantes e aos ângulos inusitados. Tudo para construir-se um thriller que leva contornos de Carrie, a Estranha, porém sem a parte humana de Brian de Palma. Apesar deste thriller flertar com drama intimista, ele é muito insípido e não nos dá o gosto de se aproximar melhor de sua personagem-título.

Ou seria ela incapaz de se aproximar de qualquer ser humano de maneira autêntica?

A questão levantada no longa sobre religião, ou crenças, é fascinante porque encontra o seu ponto de equilíbrio, e nisso o diretor/roteirista Joachim Trier (ele co-escreveu o roteiro com seu parceiro habitual, Eskil Vogt) talvez fosse uma escolha acertada para o tema/história. Jogando no início algumas frases soltas sobre ciência (“dualidade partícula/onda”) Trier aos poucos nos puxa para o lado mais racional de nossa mente, fazendo com isso um distanciamento do esotérico em uma abordagem prática e sutil ao mesmo tempo sobre o agnosticismo, ou sobre as possibilidades do conhecimento.

Então este é um filme que lida com um mistério possivelmente sobrenatural, mas como todo thriller, sem revelar isso até seus momentos finais, mas se esquece de nos identificar de fato com sua protagonista, a bela e à deriva Thelma, que interpretada por Eili Harboe não nos fornece informações o suficiente para entendê-la, exceto que ela vive em função dos seus pais. Aliás, os furos na história que jogam com a ideia de que os pais sempre a mantiveram por perto, ou o mais provável, sempre em casa, não pode ser relevado, já que há um trauma no passado de extrema importância, como a primeira cena do filme, belíssima e empolgante pelo mistério que a cerca.

Não irei revelar obviamente o grande mistério, mas é interessante notar como, diretamente relacionado com o que nós pensamos que sabemos, está a todo momento evocando essa nossa impotência como indivíduos de afirmar saber tudo o que a ciência trouxe de conhecimento à humanidade, desde o funcionamento de um aparelho celular até a incompreensibilidade de uma partícula/onda.

★★★★☆ Thelma. Norway, 2017. Direction: Joachim Trier. Script: Joachim Trier. Eskil Vogt. Cast: Eili Harboe (Thelma). Kaya Wilkins (Anja). Henrik Rafaelsen (Trond). Ellen Dorrit Petersen (Unni). Ludvig Algeback (Little brother). Isabel Christine Andreasen (Student). Camilla Belsvik (Nurse). Lars Berge (Lifeguard). Vanessa Borgli (Anja's mother Vilde). Edition: Olivier Bugge Coutté. Cinematography: Jakob Ihre. Soundtrack: Ola Fløttum. Runtime: 116. Gender: Drama. Release: 11 October 2017 (Rio de Janeiro International Film Festival). Category: movies Tags: cabine

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