Thelma

Thelma é a continuação visualmente temática do último filme de Joachim Trier, o Mais Forte Que Bombas. E quando digo visualmente me refiro à paleta fria, aos enquadramento deslumbrantes e aos ângulos inusitados. Tudo para construir-se um thriller que leva contornos de Carrie, a Estranha, porém sem a parte humana de Brian de Palma. Apesar deste thriller flertar com drama intimista, ele é muito insípido e não nos dá o gosto de se aproximar melhor de sua personagem-título.

Ou seria ela incapaz de se aproximar de qualquer ser humano de maneira autêntica?

A questão levantada no longa sobre religião, ou crenças, é fascinante porque encontra o seu ponto de equilíbrio, e nisso o diretor/roteirista Joachim Trier (ele co-escreveu o roteiro com seu parceiro habitual, Eskil Vogt) talvez fosse uma escolha acertada para o tema/história. Jogando no início algumas frases soltas sobre ciência (“dualidade partícula/onda”) Trier aos poucos nos puxa para o lado mais racional de nossa mente, fazendo com isso um distanciamento do esotérico em uma abordagem prática e sutil ao mesmo tempo sobre o agnosticismo, ou sobre as possibilidades do conhecimento.

Então este é um filme que lida com um mistério possivelmente sobrenatural, mas como todo thriller, sem revelar isso até seus momentos finais, mas se esquece de nos identificar de fato com sua protagonista, a bela e à deriva Thelma, que interpretada por Eili Harboe não nos fornece informações o suficiente para entendê-la, exceto que ela vive em função dos seus pais. Aliás, os furos na história que jogam com a ideia de que os pais sempre a mantiveram por perto, ou o mais provável, sempre em casa, não pode ser relevado, já que há um trauma no passado de extrema importância, como a primeira cena do filme, belíssima e empolgante pelo mistério que a cerca.

Não irei revelar obviamente o grande mistério, mas é interessante notar como, diretamente relacionado com o que nós pensamos que sabemos, está a todo momento evocando essa nossa impotência como indivíduos de afirmar saber tudo o que a ciência trouxe de conhecimento à humanidade, desde o funcionamento de um aparelho celular até a incompreensibilidade de uma partícula/onda.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2017-11-16 imdb