Thor Ragnarök

2017/10/25

Este é o terceiro filme solo do Thor, e talvez o mais longo deles? Bom, isso não importa. Thor Ragnarök passa voando. Não apenas o personagem-título, mas o filme como um todo. Isso talvez porque ele tenha esse elenco secundário tão fofinho, fazendo piadas bem-humoradas, de bem com a vida, entrando em seus personagens. Tudo isso para suportar o Avenger mais sem-graça. E do jeito que ele perde vários elementos de sua história nessa aventura, espero que ele não tenha mais aventuras para contar.

A historinha aqui é a seguinte: tem um mal que vai importunar essa galera do bem, e por conta de alguns infortúnios os heróis vão ter que se unir para conseguir vencer esse mal, mas no final vai dar tudo certo. Você sabe o plot. Já viu ele centenas de vezes. Esta é a Marvel e a sua série de filmes, e este é apenas mais um episódio. Eles fazem o ajuste fino de acordo com a demanda de fãs e críticos, e tenta lançar na próxima versão um filme mais próximo do que tem dado certo. No caso, a irreverência do Dead Pool (e do recente Spideman aliada ao nostálgico e cartunesco Guardiões da Galáxia. O resultado é uma trilha sonora mais techno, um pouco mais de cores no universo do Thor e um elenco cheio de piadinhas que funcionam.

Eles devem ter perdido um bom tempo com essas piadinhas, esses rapazes do roteiro…

A malévola da vez é a Deusa da Morte (oh!), Hela. E ela é… Cate Branchett! E ela incorpora o papel sem exageros para não virar caricatura, mas com um senso de “humor” que a torna perigosamente atraente (física e psicologicamente). De certa forma, me lembra a Ursa de “Superman II - A Aventura Continua”. Meu deus, como eu fui encontrar uma referência velha dessas? Agora os fãs da Marvel, se lerem esse texto, vão boiar na certa. Mas adivinhem, só, rapazes: existiam filmes de super-heróis antes de vocês nascerem.

Toma essa, geração mimimi.

Bom, voltando ao filme. Ele tem mais personagens muito legais, como Jeff Goldblum como Grão Mestre, um mafioso que manda em Sakaar (esses nomes… em português…), um “planeta sem sentido”, de acordo com o alívio cômico principal do filme, um prisioneiro desse planeta que é feito pedra. A melhor piada dele: “sou feito de pedra, mas não precisa me temer… a não ser que seja feito de tesouras… sabe, como o jó-quem-por”). Estou enchendo o saco. No fundo ele é um cara legal. A dublagem de uma voz fininha (pesquisem vocês quem é) é a surpresa que eu precisava no filme.

E temos também Hulk, ou Bruce Banner, ou Mark Rufalo, exibindo seu charme. E ele já lança suas asinhas para Valquíria, a ótima Tessa Thompson, vinda da série Cara Gente Branca com muita energia para dispensar em um papel que a mal utiliza. Mas já fiquei fã. Ela ingere muito mais álcool durante o filme que o suposto Thor de Chris Hemsworth.

Hemsworth é um problema. Sem muita carisma, uma voz mais ou menos rouca e músculos sobrando para uma cabeça proporcionalmente bem menor. Seu personagem não possui muitas qualidades narrativas, nem algum drama onde se apegar. Não quer dizer que ele seja um mal ator. Apesar de ser. O Loki de Tom Hiddleston, por exemplo, faz milagres com o papelzinho dele. É dele, por exemplo, a referência mais bem-humorada do Vingadores original, tirada em um campo de batalha. Observe e verá.

A direção de arte de Ragnarök é uma coisa de louco. Com cores vibrantes, mas uma textura pseudo-realista, ela transforma mais um filme passável da Marvel em uma experiência imersiva. E isso nem por conta do fraco 3D, convencional, mas mais pela qualidade da caracterização dos personagens, que vestem figurinos estilizados e andam em naves com estilo. As armas que eles usam também são bem criativas (meu único desapontamento foi com a Deusa da Morte…). Como filme de ação ele se segura bem. Mas a maioria do tempo são diálogos.

O que não é ruim. É sempre bom ter uma história por trás da ação. Não que a história aqui seja particularmente criativa, emocionante ou qualquer qualidade narrativa acima da média dos filmes dos super-heróis. Mas dá um respiro. É bom respirar. Há muitos desses filmes com pessoas com capa que mal há tempo para isso. Esse não é um deles. É divertido, sagaz, ritmado. Vá sem muita expectativa e terá uma ótima sessão da tarde. Não esqueça as duas cenas pós-creditos, para acompanhar os próximos episódios dessa série que metamorfa heróis de quadrinhos em rios de dinheiro para seus produtores.

★★★☆☆ Thor: Ragnarok. USA, 2017. Direction: Taika Waititi. Script: Eric Pearson. Craig Kyle. Christopher Yost. Cast: Chris Hemsworth (Thor). Tom Hiddleston (Loki). Cate Blanchett (Hela). Idris Elba (Heimdall). Jeff Goldblum (Grandmaster). Tessa Thompson (Valkyrie). Karl Urban (Skurge). Mark Ruffalo (Bruce Banner / Hulk). Anthony Hopkins (Odin). Edition: Zene Baker. Joel Negron. Cinematography: Javier Aguirresarobe. Soundtrack: Mark Mothersbaugh. Runtime: 130. Ratio: 1.90 : 1. Gender: Action. Release: 26 October 2017. Category: movies Tags: cabine

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