Tiempos Felices

Este é o clichê versão argentina daquela comédia onde o namorado quer se separar mas não consegue dizer para a namorada. A partir daí você já deve conseguir concluir que verá aquela velha cena dele imaginando que está se separando e as possíveis reações da sua ex-amada.

Porém, fica pior. Há uma organização secreta com moldes corporativos da década de 50 que promete conseguir a “façanha” de terminar o namoro sem desagradar seu cliente com detalhes como falar a verdade. É através dessa trama que o diretor de esquece completamente de nos surpreender e se entrega a todas as cenas obrigatórias e previsíveis desse gênero surrado: câmeras e escutas escondidas, a estranha sala de espera da tal empresa, as coincidências que fazem o herói perceber o que está acontecendo.

Ele geralmente é o último a saber. E nós, espectadores, os primeiros. Isso geralmente não é um bom sinal para risadas, e não é mesmo, já que nem a atuação do protagonista consegue nos entregar qualquer tipo de detalhe inusitado. Aliás, o rapaz é extremamente antipático, e ela uma simpatia obrigada a soar como uma megera. Talvez as atuações estejam trocadas…

Ambientado charmosamente em uma época com pequenas tvs de tubo e um design de arte que evoca o antigo reciclado como um “vintage” saudosista no melhor estilo hipster de cabeceira, com artefatos antigos de tons coloridos escuros misturados pela casa do protagonista, e fora o preto comunzinho da máfia dos corações despedaçados, a impressão é ter pegado o bonde de Medianeras e com isso ter voltado no tempo. O detalhe é que sabemos que o filme se passa em um passado que só existe na cabeça de pessoas do século 21.

A dupla de amigos do nosso herói veio daqueles quadros humorísticos de tv. Eles nunca tratam bem os cliente de sua barbearia. As piadas seguem mais ou menos o ritmo televisivo, soando inofensivo, bobinho e nunca tentando nada muito além da velha comédia de esquetes.

Tempos Felizes é tudo que não gostaríamos de ver repetido em filme do sub-gênero. Do começo ao fim temos aquele gosto amargo de ver uma versão pastel das comédias românticas que deveria evocar o brega em cada um de nós. Com pouca força, evoca o brega apenas dos produtores.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2017-03-10. Tiempos Felices. Tiempos Felices (Mexico, 2014). Dirigido por Luis Javier M. Henaine. Escrito por Luis Javier M. Henaine, Alejandra Olvera Avila. Com Luis Arrieta (Max Quintana), Cassandra Ciangherotti (Mónica Villalobos), Humberto Busto (Niko), Iván Arana (Rigo), Daniela Gerdes (Andrea Villalobos), Miguel Rodarte (Psicólogo Agencia), J.C. Montes-Roldan (Investigador Agencia), Jorge Caballero (Investigador Agencia), Elizabeth Guindi (Señora Villalobos). imdb