Tiempos Felices

2017/03/10

Este é o clichê versão argentina daquela comédia onde o namorado quer se separar mas não consegue dizer para a namorada. A partir daí você já deve conseguir concluir que verá aquela velha cena dele imaginando que está se separando e as possíveis reações da sua ex-amada.

Porém, fica pior. Há uma organização secreta com moldes corporativos da década de 50 que promete conseguir a “façanha” de terminar o namoro sem desagradar seu cliente com detalhes como falar a verdade. É através dessa trama que o diretor de esquece completamente de nos surpreender e se entrega a todas as cenas obrigatórias e previsíveis desse gênero surrado: câmeras e escutas escondidas, a estranha sala de espera da tal empresa, as coincidências que fazem o herói perceber o que está acontecendo.

Ele geralmente é o último a saber. E nós, espectadores, os primeiros. Isso geralmente não é um bom sinal para risadas, e não é mesmo, já que nem a atuação do protagonista consegue nos entregar qualquer tipo de detalhe inusitado. Aliás, o rapaz é extremamente antipático, e ela uma simpatia obrigada a soar como uma megera. Talvez as atuações estejam trocadas…

Ambientado charmosamente em uma época com pequenas tvs de tubo e um design de arte que evoca o antigo reciclado como um “vintage” saudosista no melhor estilo hipster de cabeceira, com artefatos antigos de tons coloridos escuros misturados pela casa do protagonista, e fora o preto comunzinho da máfia dos corações despedaçados, a impressão é ter pegado o bonde de Medianeras e com isso ter voltado no tempo. O detalhe é que sabemos que o filme se passa em um passado que só existe na cabeça de pessoas do século 21.

A dupla de amigos do nosso herói veio daqueles quadros humorísticos de tv. Eles nunca tratam bem os cliente de sua barbearia. As piadas seguem mais ou menos o ritmo televisivo, soando inofensivo, bobinho e nunca tentando nada muito além da velha comédia de esquetes.

Tempos Felizes é tudo que não gostaríamos de ver repetido em filme do sub-gênero. Do começo ao fim temos aquele gosto amargo de ver uma versão pastel das comédias românticas que deveria evocar o brega em cada um de nós. Com pouca força, evoca o brega apenas dos produtores.

★★★☆☆ Tiempos Felices. Mexico, 2014. Direction: Luis Javier M. Henaine. Script: Luis Javier M. Henaine. Alejandra Olvera Avila. Cast: Luis Arrieta (Max Quintana). Cassandra Ciangherotti (Mónica Villalobos). Humberto Busto (Niko). Iván Arana (Rigo). Daniela Gerdes (Andrea Villalobos). Miguel Rodarte (Psicólogo Agencia). J.C. Montes-Roldan (Investigador Agencia). Jorge Caballero (Investigador Agencia). Elizabeth Guindi (Señora Villalobos). Edition: Branko Gomez Palacio. Luis Javier M. Henaine. Cinematography: Diego García. Soundtrack: Marc Collin. Runtime: 80. Ratio: 2.35 : 1. Gender: Comedy. Category: movies Tags: netflix

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