Tipo Ruim

Vi vários filmes desse diretor sul-coreano — um dos meus favoritos — e é fácil entender que ele possui estilo e temas que vão se refletindo no decorrer de sua carreira e que possuem como ponto em comum a narrativa quase sem diálogos de histórias simples, mas que através das expressões e enquadramentos de Kim-Ki Duk assume sempre o formato de um excelente estudo de personagem. É sem dúvida esse o caso em Fôlego, Casa Vazia, Pietá, Primavera, Verão… e nesse Bad Guy — ou Tipo Ruim —, onde o protagonista é um cafetão e o sexo vira pano de fundo para uma relação incomum entre duas pessoas que no princípio não tinham nada em comum.

O filme começa com um beijo proibido entre esse cafetão e uma garota universitária com seu namorado e todos os clichês dessa situação. Essa cena isolada tem um alto poder metafórico e é nosso guia para o resto da história que envolve uma obsessão que parece não ter limites e que vira em muitos ótimos momentos uma reflexão sobre auto-destruição. A rotina do prostíbulo onde ele trabalha é repetitiva e nos faz mudar de humor entre a excitação e a desesperança conforme o filme se arrasta. E ele se arrasta muito, parece que em vários momentos vai parar. Tudo isso para que percebamos pelas pequenas diferenças o que é importante para a história, o que envolve elementos prosaicos como um espelho, fotos rasgadas e um cabide.

Não é o trabalho mais coeso de Kim-Ki Duk e depois de Pietá está longe de ser o mais controverso, mas como sempre ele merece todos os créditos por fazer o Cinema sair de sua mesmice hollywoodiana e se aprofundar em temas cada vez mais abordados de maneira superficial pela indústria.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-04-05. Tipo Ruim. Nabbeun namja (South Korea, 2001). Dirigido por Ki-duk Kim. Escrito por Ki-duk Kim. Com Jae-hyeon Jo, Won Seo, Yun-tae Kim, Duek-mun Choi, Yoon-young Choi, Yoo-jin Shin, Jung-young Kim, Gung-Min Nam. imdb