Tokyo Godfathers

Essa animação natalina japonesa segue os mesmos moldes do ótimo Paprika, também dirigido e escrito por Satoshi Kon e co-dirigido por Shôgo Furuya, que já havia trabalhado como animador em A Viagem de Chihiro (2001). Quando digo os mesmos moldes me refiro à caracterização exagerada e satirizada da realidade que cerca os personagens. As expressões de rosto absurdas, tão comuns no anime, aqui funcionam em parte pelo seu humor e não funcionam em parte pela sua dramatização exagerada.

A história gira em torno de uma criança encontrada no lixo por três moradores de rua, sendo que os três também foram abandonados pelos seus pais. Formam uma família torta, onde o “pai” é um vagabundo irresponsável e a mãe é um gay. Nas ruas de Tóquio pode-se esperar de tudo, menos compaixão. Essa família, no entanto, se une em torno de seu passado aparentemente semelhante de abandono.

A fraqueza do filme reside em seu roteiro cheio de coincidências que insistem em aparecer em momentos onde elas não são chamadas. Quebram o ritmo de uma história tão envolvente quanto bem desenhada. É uma pena, portanto, que boa parte dos seus momentos sejam estragados no final por uma “revelação” completamente desajeitada. OK, é um conto de natal. OK, estamos falando de uma fábula. Mas veja os fantasmas de Scrooge: surreal, natalino e eficiente.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2013-12-22 imdb