Tomates Verdes Fritos

| Wanderley Caloni

February 10, 2019

Eu me lembro de ter visto esse filme com minha mãe após ter alugado um DVD na locadora. O que ficou na minha mente por décadas foi a ternura com que a história se desenvolvida. Este é um drama no sentido clássico do gênero. Ele tenta fazer um apanhado histórico nos dando apenas a voz dos oprimidos e seus salvadores. Ou seja, ele é completamente manipulador. Mas é tão tentador acreditar em uma realidade em que só existem opressores e oprimidos. Até hoje em dia tem gente que defende isso.

Kathy Bates está absolutamente entregue ao papel de dona de casa que se revolta ao ouvir sobre a história de uma sufragista na década de 30 nos EUA, em pleno domínio do patriarcado e a pós-escravidão e os problemas raciais do sul americano. Bates é nossos olhos, ouvidos e corações, atentos ao que a personagem de Jessica Tandy irá transpor em palavras e nós veremos em um pequeno épico. Tandy já esteve do outro lado da moeda no pequeno clássico com Morgam Freeman, [Conduzindo Miss Daisy[(/conduzindo-miss-daisy), e está tão confortável no papel que é difícil saber que ela realmente está com 82 anos durante as filmagens.

Este é um filme para todas as donas de casa da época e que deve ser visto por todas as mulheres como lembrete do que significa a liberdade, vinda com a responsabilidade de deixar o corpo em forma (sorry, femistas do “gordo que é belo”). Há muitas formas de fazer feminismo, mas este é o correto. Ele humaniza seus personagens, e embora transforme todo o resto em vilões carrancudos e míopes, a mensagem de esperança sempre fica um pouco acima.

A trilha sonora do evocativo Thomas Newman (é dele também a vergonha alheia de Histórias Cruzadas) é daquelas que vai querer te forçar a se emocionar. Não faça isso. A mensagem visual de cada momento da história em que há uma pausa é mais poderosa. O diretor Jon Avnet, que começa estreando no cinema com esse filme, nos entrega diversos planos muito mais inspirados, que constrõem a história sem necessidade de pieguices como essa. Que vergonha, Newman. Tentar diminuir uma história tão intensa.

Ainda que em alguns momentos o ritmo fique extraordinariamente lento e a cadência das cenas não nos permita desfrutar por completo um filme que vai te puxando cena a cena, Tomates Verdes Fritos possui tantos bons momentos que fica difícil não defendê-lo como um exemplo de Cinema. É um romance transcrito para a telona sem vergonha de ser feliz. É piegas, é feminino, mas possui um coração ligeiramente acima de nós, reles mortais.

Imagens e créditos no IMDB.

Fried Green Tomatoes. EUA, 1991. Escrito por Carol Sobieski e Fannie Flagg baseada em seu próprio romance. Dirigido por Jon Avnet. Com Kathy Bates, Jessica Tandy, Mary Stuart Masterson, Mary-Louise Parker..