Travelers

2017/02/28

Viagem no tempo, física quântica, mulheres bonitas e gostosas: uma fórmula que geralmente merece dar uma olhada, para diversos fãs, de diferentes conteúdos. No caso da primeira temporada de Travelers, da Netflix, a química entre esses elementos oscila de maneira irregular, quase sempre frustrando ideias mais ambiciosas e quase sempre se rendendo ao juvenil politicamente correto. Quer dizer, no futuro os animais são nossos amigos e as pessoas passam mal em ver bacon? Fala sério!

A ideia compartilhada por um batalhão de roteiristas (e dirigida por outro tanto) é que no futuro há uma catástrofe que irá destruir a humanidade (ou algo que o valh), mas há também tecnologia suficiente para enviar consciências de volta ao tempo, o que move uma organização coordenada por uma figura conhecida como Diretor que envia equipes prontas para cumprir cegamente as mais diferentes missões. Como os viajantes do tempo são todos politicamente corretos e há alguns protocolos que não podem ser quebrados (o que eu mais gosto é o Protocolo 2: “o futuro fica no passado”) eles incorporam suas consciências em pessoas que, de acordo com os registros que possuem do passado, já iriam morrer em poucos segundos. Entre os protocolos há a regra de não alterar muito o presente em que vivem para não impactar o futuro, exceto as missões entregues às equipes e o fato das pessoas que iriam morrer continuar fazendo parte da vida de sua família e conhecidos.

Isso gera uma questão poderosa, mas pouco explorada. Há duas pessoas casadas na equipe que acompanhamos. Seus marido e esposa iriam se tornar viúvos em um dia onde coincidentemente um viajante no tempo toda o corpo de seu companheiro(a). Isso faz com que exista um recomeço entre eles. Curiosamente os dois viajantes são também um casal no futuro. Ou seja, de uma maneira econômica, formam-se dois triângulos amorosos com apenas quatro pessoas (seis, se você contar os mortos). De qualquer forma, este não é o foco.

O foco do criador da série, Brad Wright, é fazer surgir mais um thriller policial com assuntos que interessam os assinantes da Netflix, e dessa forma criar mais conteúdo baseado nas estatísticas da empresa. Viagens no tempo está entre os meus temas favoritos, e geralmente rende altas discussões. Esse é o lado bom da série. O lado ruim é que sua história quase sempre se rende ao clichê, preferindo sempre se manter como um thriller policial com alguns traços de ficção científica.

O fato é que a série consegue pelo menos absorver nossa atenção, pois de uma forma ou de outra, nos preocupamos com a equipe de viajantes, mesmo que estejamos whatever para o futuro da humanidade. Afinal de contas, quem quer viver em um mundo onde o bacon é mal visto? Talvez esse seja o pior traço desse futuro apocalíptico.

★★★☆☆ Travelers. Canada, 2016. Direction: Andy Mikita. Helen Shaver. William Waring. Martin Wood. Nick Hurran. Script: Pat Smith. Jason Whiting. Brad Wright. Ashley Park. S.B. Edwards. Ken Kabatoff. Cast: Eric McCormack (Grant MacLaren). MacKenzie Porter (Marcy Warton). Nesta Cooper (Carly Shannon). Jared Abrahamson (Trevor Holden). Reilly Dolman (Philip Pearson). Patrick Gilmore (David Mailer). Leah Cairns (Kathryn MacLaren). Arnold Pinnock (Walt Forbes). J. Alex Brinson (Jeff Conniker). Edition: Lisa Binkley. Stein Myhrstad. Brad Rines. Cinematography: Stephen Jackson. Neville Kidd. Soundtrack: Adam Lastiwka. Runtime: 45. Ratio: 2.00 : 1. Gender: Sci-Fi. Category: series Tags: netflix series

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