Três Corações

Três corações tem aquelas histórias nascidas para ser catártica. Porém, o que mais impressiona na direção de Benoît Jacquot, assim como eu seu roteiro co-escrito por Benoît Jacquot, é como a mensagem a respeito do fatalismo, do destino, e de como pequenas decisões impensadas criam uma cornucópia mágica de desastres. Desastres esses que nunca existiriam caso a história desse uma leve guinada em um sentido diferente.

Charlotte Gainsbourg, ou Sylvie, é a francesa despojada. Chiara Mastroianni, como Sophie, filha na vida real “dO” Marcelo e de Catherine Deneuve (que também está no filme como sua mãe), é a vítima dramática, frágil demais para ter uma dimensionalidade visível. E Benoît Poelvoorde, como Marc, é o causador involuntário de todo esse alvoroço. Auditor em uma cidade pequena da França, conhece ambas as irmãs em situações distintas, e acaba casando com uma por ter perdido a outra em um desencontro causado por um problema no coração de Marc. E o coração é também o que temos que preparar, se quisermos continuar assistindo a trama até o final.

Outro elemento, ou quase personagem, que não pode deixar de ser mencionado é a trilha sonora. Ou deveria dizer música-tema. Composta por Bruno Coulais de uma maneira minimalista, meia-dúzia de notas consegue gerar tensão (na verdade, apenas uma nota) e um tom lírico, level, quase romântico. A repetição de sua música por todo o filme é apropriada, por esta serve perfeitamente em diferentes momentos. Estamos falando de um filme que atravessa anos de história até o seu final fatalista. A passagem do tempo é algo curioso aqui.

Falado em francês, se passa na França em uma casa adorável e uma “cidadezinha” idem. Porém, guarde essa trilha sonora.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2015-04-16 imdb