Tron Uma Odisséia Eletrônica

Mesmo assistindo hoje, 28 anos depois, Tron ainda parece um filme dedicado principalmente a vender video-games.

Com sua narrativa inserida dentro de um ambiente de computação gráfica que reproduz na imaginação o que aconteceria dentro de um computador, e uma premissa bobinha de um protagonista injustiçado que tenta conseguir a prova que seu jogo foi copiado por um magnata dos jogos, e que com esse jogo ele construiu seu império, a história possui bons momentos de ação, e chega a impressionar que esses bons momentos são feitos dentro de um ambiente hoje com sofríveis efeitos especiais.

De qualquer forma, o uso de preto e branco para a face dos participantes daquela simulação computacional, que de vez em quando é ofuscado como uma imagem de televisão que falha, é acertada, pois dá a exata impressão da instabilidade daquele mundo, onde blocos e construções se formam e se desforma com uma velocidade impressionante.

Por outro lado, o próprio design de arte do ambiente “real” onde a primeira metade da história passa também remete para a construção de blocos e figuras geométricas. Não é à toa que o protagonista acessa o Master Control de cima de uma construção de tubos brancos que lembram alguma arte abstrata, ou que os corredores do império do mal são diagonais com tons de cinza. Até a cidade, no final do filme, se assemelha aos mesmos circuitos de computadores, em uma passagem rápida de tempo com os carros circulando.

Se houver alguma tentativa de traçar um paralelo entre os programas que são mostrados dentro do sistema e os seres humanos que lá estão fora, isso ficou bem óbvio.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2010-12-04. Tron Uma Odisséia Eletrônica. TRON (USA, 1982). Dirigido por Steven Lisberger. Escrito por Steven Lisberger, Steven Lisberger, Bonnie MacBird. Com Jeff Bridges, Bruce Boxleitner, David Warner, Cindy Morgan, Barnard Hughes, Dan Shor, Peter Jurasik, Tony Stephano, Craig Chudy. IMDB.