Tudo Pode Dar Certo

Apr 30, 2010

Imagens

A imprevisibilidade e a forma como tudo o que acontece em torno da história é a síntese do próprio filme, onde o caos (e o nosso conhecimento sobre) bate de frente com nossas crenças. Obviamente, por se tratar de um filme de Woody Allen, tudo isso será devidamente criticado através do seu protagonista com crises existenciais pós-divórcio. Uma prova de que ele é o sócia do diretor é que, apesar de refinado intelectualmente, o protagonista sente os mesmos sentimentos humanos, mas os expressa de maneira mais sutil, o que ao mesmo tempo torna-os mais evidentes ao espectador.

Allen, como de costume, fez o filme para a sala de cinema, e a quebra da quarta parede, apesar de arriscada, funciona bem. Aliado à isso a câmera subjetiva de fato participa em muitos momentos do ponto de vista do espectador, como na cena em que, desejoso de falar ¿a sós¿, o protagonista caminha em direção a outro cômodo. Note como a câmera anda como se estivesse acompanhando-o.

O diretor continua ainda obcecado pelo tema caos e sorte, mas em uma perspectiva cômica; diferente do dramático, tenso e excelente Match Point. Diferente deste, porém, sua crítica ácida às superstições da moda (que Allen, obviamente, coloca no mesmo patamar das crendices cristãs) é a parte mais divertida do longa.

Wanderley Caloni, 2010-04-30. Tudo Pode Dar Certo. Whatever Works (USA, 2009). Dirigido por Woody Allen. Escrito por Woody Allen. Com Larry David, Adam Brooks, Lyle Kanouse, Michael McKean, Clifford Lee Dickson, Yolonda Ross, Carolyn McCormick, Samantha Bee, Conleth Hill. IMDB.