Tudo Vai Ficar Bem

Mar 1, 2016

Imagens

Wim Wenders me chamou a atenção há alguns anos com seu Pina em versão 3D. É fascinante quando um diretor se entrega ao visual do Cinema com tanto afinco, a ponto de fazer funcionar até um roteiro sutil demais e com atores de menos, como este Tudo Vai Ficar Bem.

Esse é o Swimming Pool (um filme de 2003) para adultos. Ele explora o lado do escritor de sugar sua inspiração da realidade, de suas experiências, e também de sua imaginação. Pois bem. Um acidente ocorre. Na imaginação desse escritor, Tomas Eldan (James Franco), tudo correu bem. Alguns minutos depois, porém, temos o desastre anunciado. E isso muda completamente a vida dos envolvidos.

Muda de tal forma que parece que o filme é apenas sobre isso. E de fato, a maior parte do tempo Wenders explora a história escrita por Bjørn Olaf Johannessen dessa forma. Porém, ao abordar a vida de um escritor e de uma ilustradora, há algo mais a ser dito.

A questão pode ser colocada como quando o editor de Tomas diz que ser escritor é um paradoxo, pois as mesmas experiências que este vive alteram sua maneira de escrever. O detalhe aqui é que ele diz isso enquanto elogia as últimas três páginas que enviara. E o outro detalhe é que essas páginas foram escritas depois do acidente trágico.

Porém, a resposta nunca é tão simples quanto parece em Tudo Vai Ficar Bem. A história passa em episódios, cada vez mais espaçados. Há pausas de quatro em quatro anos no segundo e terceiro atos. O crescimento autoral de Tomas parece contrastar com o fracasso da ilustradora interpretada erroneamente por Charlotte Gainsbourg (bad timing), seja como mãe ou como profissional.

O terceiro ato, quando Tomas já está com uma nova família e muito mais rico, é o que parece querer colocar as questões a limpo. Mas o filme nunca entrega tudo tão fácil. Dessa forma, existe, sim, um conflito interessantíssimo no final do filme. Porém, também existe uma resolução que talvez não faça jus à promessa do seu título (não para a maioria dos espectadores, aposto).

Mesmo assim, é a coragem de seus idealizadores que consegue entregar um resultado pouco satisfatório do ponto de vista trama formulaica, mas muito inspirador, se observamos a construção e evolução dos temas propostos: o quanto o acaso pode nos modificar, e qual a moral que extraímos desse acaso. Se é o acaso ou não, deixo para os especuladores de plantão. Independente disso, seus resultados é que são fascinantes.

Wanderley Caloni, 2016-03-01. Tudo Vai Ficar Bem. Every Thing Will Be Fine (Germany, 2015). Dirigido por Wim Wenders. Escrito por Bjørn Olaf Johannessen. Com Rachel McAdams, James Franco, Peter Stormare, Charlotte Gainsbourg, Julia Sarah Stone, Marie-Josée Croze, Jack Fulton, Patrick Bauchau, Robert Naylor. IMDB. Texto completo próximo ou após a estreia no CinemAqui (Source).