Um Homem Chamado Ove

Feb 4, 2017

Imagens

Um filme sueco indicado a Oscar de filme estrangeiro e maquiagem. A maquiagem de fato é algo marcante em Um Homem Chamado Ove, mas não apenas no rosto dos atores, mas em todo o filme. Seu design de produção, sua narrativa e seu roteiro transformam um estudo de um personagem difícil como Forrest Gump em uma comédia/drama/romance folclórico, que mantém seus pés no chão da Suécia hoje em dia, que definha em torno de uma cultura que abraçou sua própria queda, transformando integridade em permissividade, e aos poucos americanizando os cérebros de seus cidadãos. Ironicamente, a pessoa mais inteligente do filme é uma estrangeira do Oriente Médio, e os suecos são ignorantes, estúpidos, complacentes. Ove é uma ilha em meio a esse mar de ignorância, só que ele não é nem um pouco simpático. Ele pretende se matar agora que foi demitido e sua mulher já se fora há anos. Porém, algo o segura neste mundo: “a vontade de ajudar os outros”. Se essa não é uma alegoria política sueca – que se reflete aos poucos nos outros países europeus – nada mais será. No entanto, bonitinho por sua natureza manipuladora e inchado graças a uma adaptação literária apaixonada, Um Homem Chamado Ove poderia ser um grande filme, mas prefere se manter ligeiramente exagerado e aparentemente fofinho. Mas a mensagem por trás de tudo isso me parece arriscar algo muito mais feio que isso.

Wanderley Caloni, 2017-02-04. Um Homem Chamado Ove. En man som heter Ove (Sweden, 2015). Dirigido por Hannes Holm. Escrito por Hannes Holm, Fredrik Backman. Com Rolf Lassgård (Ove), Bahar Pars (Parvaneh), Filip Berg (Unga Ove), Ida Engvoll (Sonja), Tobias Almborg (Patrick), Klas Wiljergård (Jimmy), Chatarina Larsson (Anita), Börje Lundberg (Rune), Stefan Gödicke (Oves pappa). IMDB. Texto completo próximo ou após a estreia no CinemAqui (Source).