Um Monstro em Paris

Uma animação francesa de alta qualidade em sua direção de arte, movimento dos personagens e números musicais que são bonitinhos por natureza, mas às vezes parecem mal trabalhados pela artificialidade do ritmo (talvez uma câmera aqui e ali resolvessem, mas a maioria dos números insiste em se manter na visão da plateia). É uma história batida a respeito de um monstro que surge na cidade de Paris na época em que ela abrigava ninguém menos que George Méliès, o mago da arte cinematográfica que tinha acabado de nascer e que foi homenageado recentemente no arranca-lágrimas Hugo Cabret.

O curioso da história é que o monstro na verdade é uma pulga superdesenvolvida, e isso é curioso porque boa parte dos truques de Mélès envolviam a ainda-não-velha técnica da perspectiva forçada: coloque uma lupa em um inseto e ele vira um monstro (ou um borrão, se formos realistas chatos). O batido da história é que há dois casais que com certeza ficarão junto no final do filme e sequer temos paciência de esperar isso acontecer. Podemos dizer que o roteiro se auto-sabota quando coloca essa questão em foco. O que salva realmente é a criatividade dos realizadores, principalmente a direção, que transforma o encontro entre o monstro e uma bela cantora do final da Belle Époque em um ponto forte.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2014-04-05 imdb