Um Time Show de Bola

Um Time Show de Bola possui a grande vantagem de ser dirigido por Campanella, que consegue impregnar uma emoção desproporcionalmente divertida nas cenas “em campo”, conseguindo, por ser uma animação, a fluidez completa de suas longas sequências de ação. Por outro lado, acaba sendo uma desvantagem que o controle da produção esteja nas mãos do auto-inflado e “oscarizado” diretor de O Segredo dos Seus Olhos, que adota um roteiro misto que não consegue contar bem uma única história e vira uma miscelânea de sentimentos a respeito de como o futebol atual é mais um jogo de negócios do que da paixão antiga e nostálgica.

A história, ou conto, gira em torno de Amadeo, que desde menino está apaixonado por seu “time” de pebolim e não muda até atingir a idade adulta. Uma richa de infância com um dos meninos do vilarejo onde mora gera uma rivalidade descomunal na figura de Colosso, o mega-craque milionário jogador de futebol profissional que compra a cidade inteira e a ameaça de transformar no maior estádio do mundo.

O maior problema do filme é criar conflitos onde não existe (se Colosso estava planejando demolir o bar onde foi derrotado e pegar a mesa de pebolim para si, por que precisou mandar seus capangas irem procurá-la no lixão? E o que aquela perua estava fazendo no lixão naquele horário da noite? E… um circo?). A maior virtude é sua paixão pelo esporte-arte (as sequências de ação no campo são de tirar o fôlego) e como a direção de arte se empenha em construir cenários detalhistas e ao mesmo tempo significativos sobre o tema.

Com seus prós e contras, a animação de Campanella diverte moderadamente. Tal como um jogo de cartas marcadas que estamos acostumados a assistir hoje em dia.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2013-04-12 imdb