Uma Manhã Gloriosa

Uma Manhã Gloriosa é o tipo de filme que tem tudo para ser mais uma comédia romântica clichê com um final feliz e uma boa lição de moral. No entanto, a direção sempre presente de Roger Michell consegue, assim como em Um Lugar Chamado Notting Hill, transformar um roteiro trivial em uma empolgante experiência pelo mundo da mídia televisiva.

A história gira em torno de Rachel McAdams (Diário de uma Paixão), produtora executiva de um telejornal. Esperando por uma promoção, é demitida, e consegue um emprego apenas em um outro telejornal matinal largado às traças, como o próprio diretor do estúdio (Jeff Goldblum) o coloca. No entanto, o desespero da personagem de McAdams tenta de toda forma virar esperança, o que a faz tomar decisões arriscadas, como escalar um lendário e ranzinza âncora (Harrison Ford) que é conhecido nos bastidores como a terceira pior pessoa do mundo.

O filme consegue nos fazer pensar no pior mesmo sendo uma comédia, da mesma forma com que o brilhante Missão Madrinha de Casamento. Além disso, faz uma curiosa crítica sobre o conteúdo da TV estar sendo direcionado por um público que anseia cada vez mais pela risada fácil e menos pelo conteúdo. Harrison Ford convence do começo ao fim, o que não é pouca coisa considerando seus filmes de menor expressão (e até os blockbusters como Star Wars ou Indiana Jones).

No fundo, o que uma dramédia romântica mais precisa é de personagens críveis, uma boa trilha sonora e uma história que não saia dos trilhos. Esse filme tem tudo isso e conseguimos enxergá-lo sem muito esforço. Afinal de contas, é um divertimento temporário ao qual estamos assistindo, não Cidadão Kane.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-04-19 imdb