Uma Mulher Fantástica

Uma declaração de direitos humanos. Tudo que um ser humano não deveria sofrer psicologicamente está neste filme. E para isso basta as pessoas entenderem que o gênero não importa. E acredite ou não, estamos em 2018 e isso ainda é um grande desafio para a humanidade. Mas talvez não seja tão inacreditável assim, já que todas as misérias sociais pelos quais as pessoas passam hoje em dia é graças unicamente aos socialistas. Explico por que:

Os socialistas subvertem os movimentos mais puros por solidariedade humana em troca de uma luta irracional de classes temperada com um jogo absurdo de palavras e muita ignorância. Sua ascenção pré e pós-crise apenas trouxe aos holofotes o quão mesquinhos somos como raça, dispostos a nos dividirmos em grupos minúsculos chamados de minorias e lutar apenas por esse grupo.

Uma Mulher Fantástica é o resultado disso. As pessoas nesse filme, a favor ou contra (seja lá o que isso quer dizer aqui), apenas enxergam o mundo sob a ótica dos “normais vs aberrações”. O amor não conta, ou conta como ódio, quando o patriarca de uma família decide ser feliz ao lado de uma transexual. Ele é rico, dono de uma empresa de tecidos, e ela é sua namorada que mora junto. Eles vivem bem, mas ele vem a falecer. E é aí que percebemos como o suporte individual não dá conta em uma sociedade sem o mínimo de respeito por um ser humano.

A única segurança que Marina tinha era seu falecido namorado. E ela sabe disso antes e depois que ele partiu, mas depois a resposta da sociedade é mais pesada. Não existe ninguém que se levante e apoie uma pessoa que acabou de perder seu amor e norte. Ninguém se coloca no lugar. Todos apenas enxergam o que nos torna diferentes. Exceto o cachorro.

O filme acompanha, então, todos os perrengues afetivos pelos quais Marina “tem” que passar. A ex-esposa, o filho, a polícia. Até seu cunhado por parte de irmã. Após um certo tempo começamos a raciocinar no que as pessoas vão fazer com base no que Marina é biologicamente. E até os produtores do filme parecem imbuídos desse estigma.

Do contrário, o filme se chamaria Um Homem Fantástico. Sim, porque se nasceu homem e fez-se mulher por uma série de processos pelos quais não nos cabe julgar. Pessoas buscam a própria felicidade. Rotular essa felicidade como Mulher “porque sim”, para levantar uma bandeira, é tão nocivo quanto atacá-la. Talvez um pouco mais.

Porque o resultado é o que vemos no filme. Ninguém se importa em tratar Marina como uma coisa. Digna de pena ou de ódio. E sentimos algo por ela tão somente porque o diretor está nos jogando a todo momento seu ponto de vista. E rola uma empatia. Por que seria diferente? Em um roteiro estupidamente econômico, não há narrativa. Marina vê o falecido por onde passa, mas ele não está lá, e isso nos basta como lembrança vívida do que sofre, pela perda e pelas assombrações de sua família, essas muito mais reais.

Note que na maioria do tempo vemos pelo seu ponto de vista, mas também a vemos. Porque é importante ter a noção de como as pessoas a vêem. Bom, apenas as pessoas que estão, de uma forma ou de outra, ligadas ao seu namorado. As outras, geralmente de classe social inferior (olha o socialismo de novo!) são bonzinhos. Claro, pobre não tem preconceito.

A interpretação de Marina é vazia, porque é simbólica. Marina é um símbolo, e isso a enfraquece. Enfraquece a todos nós. É triste ser usado como exemplo, e estar em um filme para tão somente ganhar um Oscar pelo conjunto da obra “transexuais no cinema”. Apesar de defender direitos humanos para todos os humanos, este é um filme de mocinhos e vilões, no nível caricato e no nível marxista. Porque este é o objetivo: mais mortes simbólicas para a ascenção do poder. Quantas Marinas mais faltam ser sacrificadas pela causa para alcançarmos o paraíso socialista?

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2018-03-15. Uma Mulher Fantástica. imdb