Una
Wanderley Caloni, 2017-04-06

Este filme lhe trará a experiência única de um diálogo entre adultos sobre quando um deles abusou o outro quando este era apenas um adolescente, e os resultados desse trauma. Porém, mais como uma sombra do que uma figura real, a personagem de Rooney Mara, Una, é genérica e parece existir em função de Ray (Ben Mendelsohn), que mudou de nome e tem uma família, e que avalia seu passado com Una através de flashbacks constantes. A direção do estreante Benedict Andrews possui a vantagem de não tornar a experiência demasiada teatral. Baseada na peça de David Harrower (que também escreveu o roteiro), há poucos cenários no filme, mas muita inspiração em suas transições, nos cortes secos, e na capacidade de apelar para nossa imaginação e resumir sequências inteiras como o ápice de uma festa, além de manter o ritmo através de uma montagem ritmada, que acompanha uma trilha sonora não-invasiva que está aí apenas para contar o tempo, e como ele transforma as pessoas. Mas não nesse caso. O filme é mais sobre como experiências dolorosas do passado transformam nosso futuro em algo sem esperança. Nada mais longe da verdade, e nada mais covarde.

Crítica completa na estreia do filme no CinemAqui.

★★★★☆ Una. UK. 2016. Direção: Benedict Andrews. Roteiro: David Harrower. Elenco: Rooney Mara (Una), Riz Ahmed (Scott), Ben Mendelsohn (Ray), Tobias Menzies (Mark), Poppy Corby-Tuech (Poppy), Tara Fitzgerald (Andrea), Natasha Little (Yvonne), Isobelle Molloy (Holly), Ciarán McMenamin (John). Edição: Nick Fenton. Fotografia: Thimios Bakatakis. Trilha Sonora: Jed Kurzel. Duração: 94. Drama. Estreia no Brasil: 13 April 2017. #cabine