Universidade Monstros

Usando o bê-a-bá que aprendemos em Monstros S.A., o diretor Dan Scanlon — auxiliado pelos quatro grandes da Pixar na produção e os dois roteiristas originais — reutiliza tudo que já foi visto no longa anterior e acrescenta detalhes que compõem o estilo de vida daqueles seres em uma evolução natural que usa a faculdade como um outro ponto de partida. O resultado é um filme que carece de um início que avise o espectador que este não é apenas uma continuação, mas um agradável e saudoso estudo de personagens. Na outra ponta, carece também de uma conclusão climática que o separe do trabalho original, ou revela um sintoma importante de todo o projeto: não há muito mais o que explorar no mundo dos monstros.

Tanto é assim que as novas criaturas que vemos não apresentam o mesmo lampejo de criatividade, e a câmera passa rapidamente por eles como que tentando ignorar a crise de inspiração. Da mesma forma se comporta a faculdade inteira e o seu próprio roteiro, que são ótimos, mas mais se baseiam do que homenageiam a saga Harry Potter (com sua escola-castelo sombria), A Vingança dos Nerds e até mesmo Carrie, a Estranha (minha referência favorita).

Mesmo com tantas limitações inexistentes nas criações originais da Pixar, justiça seja feita: a história se sustenta até o fim. O que não se sustenta é a paciência das crianças, que precisam aguardar poucos momentos de humor físico ou mesmo aqueles momentos tocantes que exploram de maneira magnífica a essência humana. Aqui a Pixar parece querer atingir a puberdade, mas com isso se esquece dos pequeninos.

Uma pena, pois essa dualidade era marca registrada dos estúdios de John Lasseter.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-07-01 imdb