Vingadores: Era de Ultron

Vingadores 2 já estreia atrasado. Seu tema de inteligência artificial parece já ter sido abordado com maior sucesso a partir de trabalhos menos ambiciosos, mas bem mais curiosos, como Transcendence e Lucy (coincidentemente com a mesma Scarlett Johansson que aqui faz a heroína russa Viúva Negra). No entanto, seu maior trunfo com certeza não são os embates filosóficos sobre qual a solução para a paz mundial através do uso de redes neurais artificialmente produzidas (ou feitas por alienígenas). Isso está tão resumido em chavões e explicações genéricas para o espectador médio que não faz muita diferença. Como sempre, a grande sacada dos filmes de super-heróis são as explosões, os efeitos visuais, as frases de efeito levemente cômicas (mas nunca ofensivas) e as roupas coloridas (hoje em dia, em “dark” discreto, mas coloridas).

Pelo menos aqui já existe uma equipe mais ou menos consolidada lutando contra o mal, ainda que esta equipe troque suas farpas para deleite do fã e ainda precise sempre ser lembrada de trabalhar juntos para serem considerados uma equipe. Há aquela voltinha clássica de 360 graus em torno do grupo e há aquele 3D mixuruca que já não engana mais ninguém.

No entanto, este Vingadores se estabelece levemente superior ao seu original quando assume um lado mais humano de seus protagonistas. É com surpresa e entusiasmo que acompanhamos a visita de um certo personagem à sua “casa”, da mesma forma com que dois novos heróis, embora mais uma vez estereotipados em torno da vingança do malvadão Tony e as indústrias Stark, tomam atitudes mais razoáveis na segunda metade do filme.

Outra “surpresa” agradável são os efeitos, em especial os que cercam Hulk, o gigante raivoso. Seus movimentos e a poeira e ranhuras que este acumula em sua pele verde são dignos de nota. O ator que o interpreta, Mark Ruffalo, é uma das melhores coisas no filme em questão de elenco, seguido bem de perto por Robert Downey Jr. e seu Tony Stark, de quem nunca cansamos. Dessa vez é Ruffalo e seu bicho grande que assume a relação amorosa da vez (sempre há, é uma regra de Hollywood), com a mesma Viúva Negra que flertava com Capitão América em seu segundo filme. Ou seja, há mais uma vez um lado humano florescendo no meio de tanto CGI.

Ainda assim, “Vingadores 2” não pode ser levado a sério quando evita até mesmo mostrar a queda de humanos em um evento megalomaníaco. Não se trata de mostrar a morte. Apenas a queda. Titanic já fez isso em um filme que é supostamente um romance. Até 2012 e seus navios com comportas gigantescas brinca com isso. No entanto, no mundo live-action da Marvel, parece não existir dor, apenas diversão. O que assusta mais é que quando a morte aparece ela não é impactante. Da mesma forma com que foi feito em O Espetacular Homem Aranha 2, ela se torna passageira enquanto impactante. Dura cerca de cinco minutos e uma trilha dramática.

Vingadores 2 não é tudo isso? Talvez até seja. Pode ser apenas eu, levemente cansado desse sub-gênero repetitivo que nunca ousa. Aguardo ansioso pela ficha cair do lado dos fãs, que vão um dia entender que mais explosões e mais frases de efeito não vão tirar uma história medíocre do chão.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-05-05 imdb