Vinho para Roubar

Esse filme argentino segue a cartilha do gênero “Onze Homens e um Segredo” e “Missão Impossível”. Porém, com baixo orçamento, apresenta um romance para preencher as lacunas dos efeitos visuais, além de personagens agradáveis, mas quase invisíveis. Os filmes argentinos, bons ou ruins, nunca pecam pela falta de charme. No entanto, ao usar a abordagem hollywoodiana, assume o risco de perder até isso.

E esse risco de encontra no roteiro, na direção e na trilha sonora. O roteiro tenta soar inteligente com mil reviravoltas, mas apresenta todos seus desafios como pequenos percalços, feito uma novela das sete. Além disso, seus personagens, cativantes no início, vão aos poucos perdendo a simpatia. A direção de engana em apresentar uma Mendoza igualmente pálida, pois fecha sua lente para espaços fechados ou com uma largura de tela insuficiente para apresentar a cidade como um outro personagem – algo implícito na produção, encomendada para apresentar a região de vinhos para o resto do mundo. A trilha sonora, por fim, insiste no mesmo tom, todo o tempo. Isso cansa fácil e faz perder o ritmo várias vezes, pela sua monotonia instaurada pela repetição. Além do mais, a música é muito mais enlatada do que uma criação feita para o filme.

Por fim, para os conhecedores e apreciadores de vinhos, mesmo os mais leigos, a trama não poderia soar mais artificial. Qualquer um habituado com o processo de envelhecimento do vinho sabe que ele deve ser feito em um ambiente seco de temperatura controlada e no máximo por uma ou duas décadas. Peças de museu existem, claro, mas não são bebidas: são guardadas, eternamente.

Aliás, foi minha última visita à cidade que me fez ver o filme, que estreou na Netflix. O motorista do passeio guiado pelas viníciolas fez uma ponta nesse filme e deu os detalhes da produção (não o encontrei, uma pena). Se o objetivo era apresentar Mendoza através de uma trama chamativa que envolvesse o mundo do vinho, essa degustação ficou só na vontade.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-03-18 imdb