Viva: A Vida é uma Festa

Um filme sobre família. E é sobre gerações. A Pixar, como (quase) sempre, perfeccionista até nos detalhes das calçadas por onde corre o pequeno e sonhador Miguel e nas rugas de sua bisa. Ah, sim, este é mais um filme sobre buscar o seu sonho apesar de todos os obstáculos e… apesar de estar quase morto. Porém, isso é Disney, então pode se despreocupar. Ninguém vai sequer ficar ferido, exceto o vilão. E um cachorro que é literalente um saco de pulgas que cai por onde quer que se coce.

Iniciando com uma introdução adorável que já virou tradição em seus filmes, aqui eles usam umas bandeirosas monocromáticas que juntas realizam a transição do tempo na história do começo, que passa por não três, mas quatro gerações. A história gira em torno do patrono e matrona da família, os tataravós de Miguel, mas o filme realmente é sobre Coco, a bisavó do rapaz e que leva o título original do filme, além de ser dublada o original por Ana Ofelia Murguía, uma atriz mexicana de 85 anos.

E por que mexicana? Ora, porque este é (mais) um filme sobre a festa dos mortos, aquele dia onde todos homenageiam e entram em contato com seus familiares falecidos. Há uma bonita metáfora e analogia entre o mundo dos vivos e dos mortos, com uma ponte sensacional coberta de pétalas e a tocante ideia de que os familiares que não são lembrados mais por ninguém desaparecem do mundo dos mortos.

A Pixar demonstra mais uma vez que sabe emocionar em dobro, tecnicamente e pela sua historinha. Claro, eles ainda não sabem o que fazer com o vilão, mas o diretor e roteirista de Toy Story (2 e 3) Lee Unkrich sabe fazer chorar. Como sabe. E se você, como quase todo mortal, respeita e admira sua família, é melhor pegar seu lencinho antes de entrar na sala de cinema.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2018-02-20. Viva: A Vida é uma Festa. imdb