Voando Alto
Wanderley Caloni, 2017-05-02

Este é um filme para observar a atuação de Taron Egerton em um papel muito diferente do que ele fez em Kingsman. Também é um filme para observarmos como nem sempre a persona de Hugh Jackman, como visto em Gigantes de Aço, consegue ser tão eficaz. E, de forma geral, este é um filme que repassa alguns momentos da vida real de Eddie Edwards, uma criança inglesa que parece já ter nascido com a ideia obcecada de participar das olimpíadas.

Há algo de mágico nesta história, e a direção do ator Dexter Fletcher percebeu isso. Há momentos grandiosos em câmera lenta com uma música imponente. Há também momentos vergonhosos onde vemos em câmera lenta uma sequência de bocas maravilhadas se abrindo (bem ao estilo de humor britânico, despojado). No meio de tudo isso, a história ganha um tratamento de épico, mas sem alma. Se trata de um passeio burocrático por uma história maravilhosa, talvez, mas não o suficiente para imprimir momentos inesquecíveis que você irá levar nas suas memórias cinematográficas.

Se não fossem as atuações e a determinação de Eddie estampada no rosto limpo de Taron Egerton, quase que completamente convertido no real Eddie Edwards, e as tomadas que deixam claro que saltos de 90 metros de altura em um esqui podem gerar sequelas irreparáveis, este filme não seria tão impressionante. Porém, se o salto de 90 metros é tão perigoso, assim, por que não vemos nenhuma acidente fatal no percurso de Eddie em direção ao seu tão almejado sonho?

Enquanto isso, um drama de relacionamento entre Eddie e o personagem de Hugh Jackman se espelha em um passado onde seu personagem era um esquiador talentoso que se deixou levar pela falta de disciplina, perdendo a confiança de seu técnico, uma aparição de luxo de Christopher Walken, que é autor do livro que une o objetivo de ambos: provar para as pessoas que ama que ele está certo.

No entanto, tudo é ridiculamente exagerado. O pai de Eddie está motivado a qualquer custo em fazer o filho desistir de seu sonho sem muitos motivos claros exceto a visão de incapacidade que ele tem do próprio filho. Ao mesmo tempo, Hugh Jackman exibe pouco carisma em um papel automático de uma caricatura prática e eficaz do esportista que perdeu sua chance e hoje bebe para esquecer. E o próprio Eddie parece não ter mais atributos exceto sua determinação sem limites.

Tentando extrair do seu espectador a emoção que lhe falta, tudo parece valer para incitar lágrimas ou a emoção da missão cumprida em grande estilo. Dificilmente você sairá decepcionado, pois tudo funciona perfeitamente nesse filme. A decepção fica por conta que não existem riscos o suficiente nessa jornada (a de assistir o filme). O único disposto a correr riscos é a figura de Eddie Edwards. Dessa forma, o filme que o homenageia passa longe de sua cartilha de como vencer na vida assumindo os riscos necessários para atingir seus objetivos.

★★★☆☆ Eddie the Eagle. UK. 2016. Direção: Dexter Fletcher. Roteiro: Sean Macaulay, Simon Kelton. Elenco: Tom Costello (Eddie), Jo Hartley (Janette), Keith Allen (Terry), Dickon Tolson (UK Doctor), Jack Costello (Eddie), Taron Egerton (Eddie Edwards), Mark Benton (Richmond the BOA Official), Tim McInnerny (Dustin Target), Edvin Endre (Matti Nykänen), Mads Sjøgård Pettersen (Erik Moberg), Marc Benjamin (Lars Holbin), Iris Berben (Petra), Rune Temte (Bjørn the Norwegian Coach), Hugh Jackman (Bronson Peary), Carlton Bunce (Old Jumper), Joachim Raaf (Oberstdorf Jumping Marshal), Sean Jackson (Outfitter), Daniel Ings (Zach), Jim Broadbent (BBC Commentator), Matt Rippy (US Anchorman), Graham Fletcher-Cook (Appleby), Ania Sowinski (Carrie), Paul Reynolds (Clive North UK Reporter), Christopher Walken (Warren Sharp), Jozef Aoki (Calgary Press), Lasco Atkins (Calgary Press), Roy Beck (Calgary Reporter), Matthew Brandon (Canadian Ski Jumper), Austin Burrows (German Coach). Edição: Martin Walsh. Fotografia: George Richmond. Trilha Sonora: Matthew Margeson. Duração: 106. Aspecto: 2.35 : 1. Biography. Estreia no Brasil: 31 March 2016. #torrent