Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

Aug 8, 2016

Imagens

Warcraft consegue manter o tema de estratégia de guerra do jogo viva no filme; de quebra, exibe um dos melhores efeitos visuais do ano. Não aquele que impressiona por impressionar, mas o que está a serviço da narrativa. E com uma história para contar, ainda consegue estar à altura dos melhores trabalhos da produtora desse e outros games. A Blizzard, pelo jeito, não se cansa de impressionar.

Baseado em um video-game de RTS (Real Time Strategy, ou Estratéga de Tempo Real), que mais tarde se tornou um RPG consagrado, a história gira em torno dos detalhes de jogabilidade, como o uso da magia em ambas as raças, o poder guerreiro dos orcs, além de seu respeito incondicional às suas tradições, e a habilidade na política dos seres humanos.

Mas eu disse duas raças? Warcraft, já no filme de estreia, já ensaia abrir uma franquia que possui um potencial interessante. O mundo dos humanos é pacífico, e lá habitam diferentes raças em harmonia. Há um quê de Senhor do Aneis em muitos momentos.

No entanto, o foco desse filme é mesmo a batalha entre humanos e orcs. Tendo seu mundo destruído, os orcs realizam uma “migração” graças ao uso de uma magia maligna, que suga a energia das pessoas – de qualquer raça – e produz um mana verde que permite abrir um portal entre dois mundos.

Há diferentes personagens de ambos os lados que lembram peças em um jogo de xadrez. O roteiro de Charles Leavitt e Duncan Jones (do ótimo Lunar) está a todo momento sugerindo nosso desconhecimento do que essas criaturas poderão ou não fazer, e qual sua função na batalha iminente. Ninguém no elenco se sobressai em particular, mas ninguém estraga a festa (com exceção de uma inexpressiva Ruth Negga como Rainha Taria, que felizmente tem pouquíssimo tempo de tela). A interação homem/orc é sempre interessante, e o roteiro acertadamente escolhe apostar mais nos diálogos do que em batalhas frenéticas.

Isso permite duas coisas. Primeiro observar a fabulosa direção de arte, que consegue transformar um universo criado para um jogo em algo mágico, mas ao mesmo tempo realista, evocando a grandeza do império humano e a sociedade tribal dos orcs. Mais do que isso, porém, é ficar a todo momento percebendo os inúmeros detalhes do rosto dos orcs, que consegue expressar um rosto humano na cara de um monstro, e soar perfeitamente crível a todo momento (diferente de um pássaro gigante voador, que oscila entre o muito bom e a falta de cuidado da computação em torná-lo muito destacado do ordinário).

Mais do que uma historinha para justificar uma batalha épica, Warcraft é a (re)criação de um universo que já tinha sido feito com total esmero pelos seus idealizadores originais. Usando uma metáfora eficiente para a magia que suga a vida das pessoas (vulgo Estado), as diferentes formas de interpretar a história já valeria a pena até uma revisita. E isso apenas pela história, quando estamos falando de um espetáculo visual.

Wanderley Caloni, 2016-08-08. Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos. Warcraft (USA, 2016). Dirigido por Duncan Jones. Escrito por Charles Leavitt, Duncan Jones. Com Travis Fimmel, Paula Patton, Ben Foster, Dominic Cooper, Toby Kebbell, Ben Schnetzer, Robert Kazinsky, Clancy Brown, Daniel Wu. IMDB.