Westworld S02E01-02

Jul 25, 2018

Estava com saudade de voltar a escrever sobre Westworld. Agora comecei a ver a segunda temporada, os dois primeiros episódios, já que a temporada acabou. É curioso como o jogo de expectativas não funciona muito bem com uma série que praticamente arrasou logo em sua primeira temporada, que merece ser vista e revista algumas vezes. No entanto, é preciso ser mente aberta para aos poucos compreender o que os criadores da série pretendem.

O reinício da série lembra uma tentativa em refazer todos os conflitos da primeira temporada, mas de uma maneira pouco criativa. Os robôs tomam conta de suas próprias vidas, pelo menos as duas garotas mais promissoras, a doce Dolores (Evan Rachel Wood) e a ácida Maeve (Thandie Newton). Dolores era a cobaia do experimento da busca pela consciência. O experimento foi bem sucedido pelo diálogo existencialista que ela insiste em dizer sempre que ela e seus seguidores, incluindo seu amante de suas narrativas, Teddy (James Marsden), param em um lugar para punir seus agora inimigos: humanos.

Mas é época de vingança, e ninguém melhor para liderar uma revolução do que a dona do prostíbulo, Maeve, que aprendeu por conta própria a usar uma falha em seu sistema de apagamento de memória para insurgir como o conjunto de tudo o que viveu e tudo o que lhe fizeram. Ela é ódio puro, mas sob controle do autômato com o maior QI a andar livre por aquelas terras. Por ser negra e ter perdido sua filha na narrativa passada, a metáfora sobre escravidão e dívida história está no ar. Rodrigo Santoro como o impiedoso Hecotor vira seu interesse amoroso, embora aqui, para ficar claro, os interesses amorosos de fato são os homens, que seguem suas mulheres líderes da revolução.

A série também vê necessidade de explicar, ou apenas mostrar de maneira onisciente, os momentos do passado que culminaram na compra do parque por Wyatt (Sorin Brouwers), ou o Homem de Preto (Ed Harris). Como ele ainda está no jogo, seguindo os passos que Ford colocou para ele, não me parece nada inesperado seu encontro com Dolores. O que me parece inesperado são momentos e diálogos tão inspirados quanto os da primeira temporada. E nem espero pelas reviravoltas que vimos.

Já Bernard (Jeffrey Wright) vira aqui um pouco do elemento gore com tons de terror psicológico, pois vive o desespero de se descobrir máquina apesar de ter acreditado por muito tempo ser humano, e potencialmente isso irá nos mostrar mais filosofia existencialista na trama futura. E mais uma vez (e espero estar errado) não espero nada muito profundo. Algo no nível do Pondé, digamos.

Talvez a primeira temporada tenha entregue tudo que precisamos ver sobre a grande questão sobre singularidade. Agora apenas aprecie o passeio. It’s (brainless) show time.

PS: Importante notar que o casal Jonathan Nolan e Lisa Joy não estão mais na liderança do projeto, que segue por uma equipe diversificada no roteiro e direção. Torçamos para que eles mantenham o legado vivo.

Imagens e créditos no IMDB.
Wanderley Caloni, 2018-07-25. Westworld. Série criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy. Dirigido e escrito por uma porrada de gente.